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Sem servidor, diretor de escola ”vira” inspetor

A carência de funcionários temporários ou efetivos nas funções de serventes, inspetores de alunos e merendeiras está obrigando diretores e professores de pelo menos cinco escolas estaduais de Ribeirão Preto a improvisar e acumular cargos. Há relatos de escolas em que o diretor vai receber os alunos na porta, por falta de inspetor, e até de professores que servem o lanche e varrem o chão das salas de aula.

A Secretaria de Estado da Educação negou que haja falta de funcionários na rede, mas deve terceirizar todos os funcionários da merenda e limpeza.

Professores e membros da direção de escolas fizeram a denúncia à Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), sob a condição de anonimato, por medo de sofrer represálias. A Folha visitou ontem duas escolas e ouviu o mesmo relato de pais de alunos e também de funcionários, esses na condição de não serem identificados. Segundo os pais, diretores já reclamaram algumas vezes do acúmulo de funções.

O conselheiro estadual da Apeoesp José Wilson de Souza, disse que o problema existe nas escolas Alfeu Domeneghetti, Rosângela Basile, Orestes Lopes de Camargo, Jardim Progresso e Evaristo Veiga.

Uma funcionária da Veiga Miranda, no bairro Campos Elíseos, disse que a instituição tem déficit de servidores e que o Estado não mandou terceirizados. A escola ocupa meio quarteirão e tem um servente.

Na escola Rosângela Basile, no bairro Maria das Graças, uma funcionária da secretaria -e não um inspetor- foi quem abriu o portão ontem de manhã para as crianças. Enquanto controlava a entrada, ela tentava conter as crianças mais agitadas: "Ei, meninos, desçam já da árvore".

Os pais confirmaram que faltam funcionários na escola. "A diretora comentou conosco que até os professores estão ajudando a servir lanche porque não tem gente suficiente", disse a balconista Rosemeire Ramos de Paula, 25.

A dona-de-casa Damaris Pereira Silva, 28, afirmou que ontem precisou esperar do lado de fora para falar com a professora porque não havia inspetor na porta. "A diretora contou que está faltando inspetor."

A dona-de-casa Michele da Costa Santos, 26, contou que a professora de seu filho pediu aos alunos ontem que limpassem a sala. "É errado. Ele vem aqui é para estudar."

(Folha de S.Paulo)