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Boxe praticado embaixo de viadutos reintegra moradores de rua

Aulas de boxe e de ginástica e uma biblioteca com um acervo de mais de 30 mil livros. Tudo isso embaixo de três viadutos da cidade de São Paulo (SP). Esse é o projeto Cora Garrido Boxe que, além de atender moradores de rua e crianças em situação de risco social, atrai mais de seis mil pessoas, entre jovens, idosos, comerciantes e universitários por mês.

De um lado, equipamentos improvisados formam um ringue de boxe, palco que revela esportistas talentosos. Do outro, um montante de ferros forma aparelhos de ginástica. Foi dessa forma que o projeto nasceu em 2003 e ganhou credibilidade sob a passarela do Vale do Anhangabaú, zona central da cidade.

”No primeiro momento, a prefeitura duvidou da nossa palavra. Acreditavam que ocuparíamos aquele espaço com más intenções, pois o local foi por muito tempo ponto de venda de drogas e moradia de mendigos. Quando perceberam o bem que estávamos fazendo para aquelas pessoas, aderiram totalmente à causa, tanto que, por causa deles, o projeto se multiplicou por mais dois pontos da cidade”, conta orgulhosa uma das fundadoras, Cora Batista.

Hoje, com o espaço de origem sendo reformado pela Subprefeitura da Sé, o Viaduto do Café, no bairro do Bexiga , tornou-se o ponto de encontro dos esportistas. De forma improvisada, a segunda unidade do projeto é diariamente conduzida por Jaílton de Jesus que, de catador de papel, tornou-se monitor das atividades esportivas do local. “Moro na academia, embaixo da ponte, com muito orgulho. Participo por motivação do Garrido – ex-boxeador e também fundador do projeto. Trabalho voluntariamente no projeto ao mesmo tempo em que treino para ser um pugilista vencedor e trabalho em uma academia de ginástica”, conta.

Tomando forma a cada dia, o projeto, que nasceu do improviso, aos poucos cresce e mostra que tem futuro. Prova disso é a terceira unidade da academia que funciona no Viaduto Alcântara Machado, zona leste da cidade, há menos de um ano. Lá, bem melhor estruturado, um ringue de boxe e aparelhos profissionais de ginástica estão espalhados por 15 mil metros quadrados. “Tudo que temos foi doado por pessoas que acreditam em nossa causa, de empresários à comunidade local. Além disso, R$ 20 é o valor pago por algumas pessoas que têm condições de nos ajudar. É um valor simbólico pelo atendimento na academia”, conta Cora.

O atendimento prioritário da academia é para pessoas em situação de risco social. Além das atividades físicas e esportivas, os freqüentadores contam com orientação, assessoria e encaminhamento para postos de trabalho, estudo e saúde. Há voluntários que oferecem apoio jurídico, além do dinheiro das doações ser utilizado na compra de cestas básicas distribuidas aos participantes. “Além disso, oferecemos refeições diárias nas academias da região central com alimentos doados pelos restaurantes locais. Alunos do Mackenzie são professores em um cursinho comunitário que montaram na zona leste para atender os freqüentadores da academia. Essa mesma universidade e outras duas da capital doaram bolsas de estudo para alguns de nossos jovens“, comenta a fundadora.
 
Para ocupar todo o espaço cedido pela prefeitura, dentro de pouco tempo as instalações do Viaduto Alcântara Machado podem se transformar em um mini pólo-esportivo, como denomina Cora. Quadras de vôlei, futebol society e tênis, além de uma biblioteca comunitária, são propostas já em andamento. “A unidade já recebeu aulas de jiu-jitsu, artes marciais, capoeira, informática e reforço escolar. Nossa idéia é disponibilizar espaços específicos para cada atividade funcionar de forma mais adequada. Nossa maior luta é por patrocinadores e, aos poucos, temos conseguido bons resultados”, comemora.