Portal Aprendiz - Atuais políticas de enfrentamento ao uso de drogas por moradores de ruas são ineficientes

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

anteriores voltar

Academia

22 de Julho de 2009

anteriores

Atuais políticas de enfrentamento ao uso de drogas por moradores de ruas são ineficientes

Talita Mochiute

Retirar albergues do centro. Fechar bocas de fumo, como da Cracolândia, localizada no centro de São Paulo (SP). São medidas que não resolvem o problema do uso de drogas por moradores de rua. “A ação é orientada de acordo com o princípio de gestão do espaço público. A retirada ou a transferência dos moradores de rua promove higienização. Não tem foco no sujeito”, afirma o psicólogo Walter Varanda.

Varanda analisou o papel do uso de drogas e álcool na vida de moradores de rua em sua tese de doutorado. O estudo foi defendido em abril de 2009 na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP). “Não adianta apenas saber quantos são e onde estão. O motivo do vício deve ser pesquisado. É preciso ter um diagnóstico qualitativo”.

Segundo o psicólogo, o uso de álcool e drogas por moradores de rua tem um caráter multifatorial. Não serve apenas como alívio ao sofrimento físico e psíquico, também ajuda na sociabilização e na sobrevivência na rua. “Essas pessoas viveram experiências desestruturantes do sujeito. Através da bebida e da droga, entram em um estado alterado. Ou seja, os psicoativos funcionam como mecanismo de conforto, acalmando a memória”.

Além do diagnóstico, o enfrentamento do problema deve ir além da abordagem medicalizante.O tratamento com medicamentos ou terapêutico não é suficiente para combater o uso abusivo de drogas ou álcool. “Não se pode esquecer os fatores sócio-econômicos relacionados à questão”, lembra Varanda.

Para o estudo, o psicólogo entrevistou moradores de rua e depois acompanhou 12 pessoas, residentes na região do Glicério e do Pátio do Colégio, na zona central da capital paulista. A abordagem etnográfica revelou as trajetórias individuais, as dinâmicas do grupo e sua interação com as redes públicas de assistência social. O objetivo era tentar entender o abuso de álcool e drogas como uma reação ao contexto de exclusão social.

De acordo com Varanda, a questão precisa ser vista como um drama social que o sujeito vivencia.  As trajetórias pessoais do grupo analisado são marcadas pela degradação social e do sujeito. Há histórico de violência familiar, trabalho infantil, abandono e outros. A ida para rua não está relacionada diretamente ao vício. Na maioria dos casos, o uso abusivo das substâncias ocorre devido à situação de rua.

As novas visões sobre o problema permitem uma abordagem mais adequada para o enfrentamento. Para o psicólogo, é necessária uma atuação intersecretarial no território. O trabalho precisa ser compartilhado entre as áreas de Assistência Social, Saúde, Trabalho e Educação. “É preciso ter vontade política. Hoje temos a manutenção de uma rede de assistência social, mas não uma política”.



voltartopo