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Leitura é importante desde a gestação
A importância da comunicação entre mães e bebês desde a gestação, seja conversando ou lendo histórias. Esse foi o principal tema abordado pelo psicanalista e lingüista colombiano Evélio Cabrejo-Barra durante a mesa “As narrativas: construção e transmissão de experiência humana”. A apresentação ocorreu no Encontro Internacional Literatura e Ação Cultural, na sede do Serviço Social do Comércio (SESC), em Pinheiros, na cidade de São Paulo (SP). O evento acontece entre os dias 15 a 17 de julho e reúne pesquisadores, professores e mediadores brasileiros e de outros países com o intuito de proporcionar um campo de troca de experiências, idéias e estudo. Segundo Cabrejo-Barra, a voz começa a se inserir na psique humana a partir do quarto mês de gravidez, quando está se formando a audição do feto. “Quando o bebê nasce, a voz já está inserida nele. O bebê consegue distinguir as vozes, especialmente a da mãe. É o primeiro fato simbólico”, explicou. De acordo com o lingüista colombiano, a partir do escutar adquirimos a linguagem. “Nós saímos do ventre da mãe e caímos no ventre da língua. Não podemos ficar indiferentes a posição dos bebês, quando escutam e se manifestam. Todo o bebê chora para chamar a atenção, um ato intencional dirigido para chamar o outro, uma forma de se linguagem, que forma sua própria psique humana”. Para Cabrejo-Barra, o trabalho silencioso da linguagem já é o primeiro passo antes da língua em si. “O ouvir nessa fase é muito importante. Quando você conta histórias para crianças elas ficam em posição de escuta, prestam atenção. Nessa fase, a música também é de extrema importância. As canções de ninar são canções que constroem a psique humana. É como uma melodia cultural dentro de nós. Para a criança, a língua produz pequenas canções. É aqui que se preparam as pequenas palavras, através dela começamos a diferenciar os fonemas e o idioma”, completou. O psicanalista também explicou que a partir dos quatro meses o bebê começa a “ler” o que ele “escreveu” simbolicamente. “A partir do quarto mês começamos a balbuciar, que é a duplicação de cada sílaba - dada, mama, papa, nenê. É o nascimento da língua”. Nesse momento, o lingüista disse que o bebê se reconhece. “Dou uma experiência humana ao nenê para que ele possa construir a dele. Uma vez que o bebê consegue a representação simbólica de si e do outro ele se reconhece e é preciso sempre alimentar esse espírito”. leia também
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