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Mobilização começa a reerguer escolaAlan Meguerditchian
Apesar da boa estrutura e tradição, a escola corre o risco de fechar. Para o ano letivo de 2007, o colégio recebeu apenas 250 matrículas, o que corresponde a oito das 24 salas preenchidas. Com a redução de estudantes, a verba enviada pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e o número de funcionários também caíram, pois são diretamente ligados ao número de alunos. Por exemplo, a escola não tem vice-diretor, cargo só disponível para colégios com mais de 18 turmas. Mas o mais grave aconteceu em meados do primeiro semestre deste ano, quando a secretaria divulgou a lista de escolas para a matrícula de 2008. O Max não constava. "O bairro envelheceu. Só tem moradores antigos. Assim, pela natureza da comunidade, o número de alunos caiu", explica a diretora, Silvana Duran, que está há três anos no cargo. "Mesmo cercado por comércio, fórum etc, a escola não é um local de passagem, como o E. E. Fernão Dias Paes que fica na avenida Pedroso de Moraes (importante avenida da região). Dessa forma, os trabalhadores não enxergam a escola como uma opção de fácil acesso e acabam não matriculando seus filhos", explica a diretora de ensino Centro Oeste da Secretaria da Educação do estado, Walkyria Ivananskas. Diante desse cenário, algo precisava ser feito. Com a ausência da escola na lista para as matrículas, professores, alunos e a própria diretoria da escola começaram a se mobilizar. "Os professores estavam sendo transferidos. Os alunos estavam mudando de colégio. Não tínhamos um grêmio ativo. Ele era eleito e ficava por isso mesmo. Com o extremo que passamos a viver, a situação teve que mudar. O grêmio desse ano passou a formular diversos projetos, mas que dificilmente iam para frente. Os professores também começaram a buscar alternativas", lembra a aluna do 2º ano do Ensino Médio e integrante do grêmio, Bruna Gonçalves. Uma dessas alternativas foi envolver a comunidade, mais precisamente a organização não-governamental (ONG) Cidade Escola Aprendiz, instituição localizada na Vila Madalena, bairro vizinho a Pinheiros, que busca transformar todos os lugares da comunidade em espaços educativos. "Mantínhamos uma relação superficial com a escola, mesmo tendo alunos de lá nas nossas atividades", lembra a educadora da ONG, Fernanda Salles. "As professoras nos procuraram e explicaram a situação. Precisávamos nos posicionar e fizemos isso. Não tem sentido a ONG existir se uma escola fecha", explica o também educador do Aprendiz, Eymard Ribeiro. O recomeço Corpo docente e discente, somados à direção e à comunidade. Essa é a equação que, há três meses, busca encontrar novos caminhos para o Max. "Fomos bem recebidos, mas encontramos pessoas tristes, com um ar depressivo", lembra Ribeiro. "As pessoas estavam se superando, tentando sobreviver psicologicamente. Assim, propusemos mexer no físico da escola para quebrar o gelo e começar a construir um campo de relacionamento", explica Salles. Para isso, atividades de artes e intervenções na escola começaram a acontecer. "Olha que bonito que ficou a fachada com os mosaicos", orgulha-se a diretora mostrando os muros da fachada do colégio pintadas de laranja e preenchidas com o mosaico de azulejo, resultado das primeiras oficinas. Segundo o planejamento, as salas e pátio, hoje predominantemente em tons pastéis, bem apagados, serão os próximos alvos de intervenção. "A escola estava parecendo um arquivo morto, com salas servindo de depósito", lembra a estudante Gonçalves. A intervenção mais drástica que está ocorrendo é no antigo auditório. Ele foi reformado e no próximo sábado, dia 25 de agosto, abrirá as portas como o Teatro da Vila, estreando a peça Cidadão de Papel, com texto de Sérgio Roveri, a partir da obra do jornalista Gilberto Dimenstein. "Aqui será o espaço para as peças, ali para o cinema e aqui a entrada. As salas desse corredor serão utilizadas, em breve, como espaços de atividades culturais. Seremos um centro cultural aberto à comunidade", explica, com um largo sorriso no rosto, a diretora Duran. "Nós temos de abrir as portas para a comunidade. Porque não oferecer atividades para a terceira idade, por exemplo?. Temos que fazer a escola reviver e a região tem uma tradição de cultura. Porque não trazer isso para a escola", diz Ivananskas. "Tudo que vem de bom e é para criar raízes, nos acatamos. Logicamente que o governo não tem condições de fazer tudo. E governo quem é? Somos todos nós, os cidadãos. Assim, todos temos a obrigação de auxiliar o outro, seja o outro uma escola ou uma pessoa. No caso do Max, a parceria estabelecida veio somar o anseio de uma escola pública com o de uma comunidade", completa Ivananskas sobre como a receptividade dessa integração foi vista pela secretaria de educação. Mesmo ainda no começo do processo, mudanças já estão sendo sentidas. "Os professores da escola são muito bons, mas estavam trabalhando de forma estanque", lembra Salles. "Isso já começou a se transformar. As professoras estão buscando formas de mexer no conteúdo. Todos já foram contaminados", explica Ribeiro. "Todos estão motivados e interessados. Não estamos mais naquela mesmice", diz a aluna Gonçalves. O futuro "Isso tudo é um processo. Vou me formar no final do ano que vem e provavelmente não vou ver a mudança completa. Mas é legal participar da transformação. Acho que todos estão sentido isso". A percepção de Gonçalves é algo compartilhado por todos os envolvidos. "O que está acontecendo é a casquinha da história. Tudo pode mudar daqui um mês, não sabemos. Mas as pessoas estão muito envolvidas e aquelas que não ajudam pelo menos não estão atrapalhando", analisa o educador do Aprendiz, Ribeiro. "É um processo de conquista. As oficinas que estão acontecendo fazem com que os estudantes se interessem mais. Todos estão acreditando no crescimento da escola e a idéia de fazer com que ela seja um centro cultural ajudará muito", explica a diretora do colégio. Segundo Duran, apesar de todo esse trabalho, a escola ainda precisa de novos alunos. Para resolver o problema, estão planejadas ações diretas, como campanhas nas outras escolas e em meios de comunicação. "Mas o mais importante é fazer com que os jovens se interessem pelo Max naturalmente. Sendo uma escola de qualidade e que tem os aspectos cultural e comunitário fortalecidos, os alunos passarão a procurar mais a escola", conclui. |
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