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Liberdade para definir regras em jogos melhora diálogo entre estudantesBruna Souza
Oferecer oportunidades para os alunos da 5ª série do ensino fundamental modificarem regras e trazerem brincadeiras da rua para as aulas de educação física e com isso observar um número reduzido de conflitos e um aumento dos diálogos. Esses foram os exercícios e os resultados produzidos pelo pesquisador Mauro André que buscou analisar o comportamento dos jovens em relação aos conflitos, cumprimentos de regras, competitividade e expressividade em sua dissertação de mestrado defendida na Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFE-USP). Segundo André, que realizou o estudo em uma escola pública na cidade de Itapevi, na Grande São Paulo, ocorreram poucos conflitos, pois o número de oportunidades de jogar foi aumentado , assim como a variedade de jogos que compreendem mais tipos de habilidades. Além disso, surgiram “discussões políticas em final de aula” para defesa de interesses e pontos de vista sobre as regras do jogo. “O jogo, a cultura e o jogador estão sempre ligados”, afirma o pesquisador. Concursado pela Rede Estadual de Ensino em 2006, André ficou responsável pelas turmas de 5ª e 8ª séries. Com o projeto em mente, resolveu aplicá-lo em duas turmas de 5ª séries, pois os alunos estavam menos “esportizados”, e a dificuldade de implementação seria menor. “Escolhi as turmas de 5ª série porque as de 8ª série já possuíam uma formação esportiva. Os alunos mais novos não tinham noção de uma aula de educação física, pois no ensino fundamental I (de 1ª a 4ª série) eles não contam com um professor específico”. A pesquisa foi qualitativa e para a sua realização foram filmadas 55 crianças participantes de quatro diferentes jogos, de naturezas distintas. O professor/ pesquisador optou por jogos que estavam fora da vivência das crianças. “A cultura dos jogos convencionais como futebol ou basquete já era muito forte”, afirma André. No primeiro semestre foram trabalhados com eles jogos que eles não conheciam, chamados por ele de jogos “expostos”. Já no segundo semestre, foram utilizados jogos chamados de “transformados”, práticas que as crianças conheciam, mas que mudavam as regras de acordo com suas próprias necessidades. As equipes eram mistas e os alunos tinham liberdade para montá-las sem a interferência do professor. Nos jogos transformados, alguns conflitos no momento da modificação das regras. “Em alguns momentos a turma se uniu, mas não foi regra, por causa da diferença de gênero”. André também diz que em jogos que foram transformados, como a queimada, por exemplo, os conflitos vieram quando os meninos resolveram introduzir o pênalti de futebol na modalidade. “Os meninos não aceitavam a presença feminina”, pontua. Nos jogos em que o grau de dificuldade era maior, os conflitos aumentaram. “As crianças se prendiam a pequenos detalhes e não admitiam seus próprios erros, culpando sempre a equipe adversária”, afirma André. O professor diz que os jogos fizeram os jovens refletirem. “Acho que os conflitos fizeram os estudantes pensarem no que era melhor para todos”, conclui. Para conhecer mais sobre os jogos utilizados na pesquisa, leia na integra a dissertação do pesquisador: www.teses.usp.br/teses/disponiveis/39/39133/tde-22082007-095448/. |
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