Portal Aprendiz - Interiorização das indústrias precisa ser mais intensa em SP
anteriores voltar

Congressos e Seminários

02 de Julho de 2008

anteriores

Aguarde...

Interiorização das indústrias precisa ser mais intensa em SP

Vivian Lobato

“As indústrias ainda estão muito concentradas na cidade de São Paulo (SP). Já existe uma tendência de expansão para o interior, mas esse movimento precisa ser mais forte”.

A afirmação é do economista Miguel Matteo que participou da mesa “O Futuro da metrópole industrial”, no lançamento do Conselho de Desenvolvimento das Cidades, em São Paulo. O objetivo do Conselho é promover a discussão de soluções viáveis para os problemas que a cidade enfrenta.

Segundo o economista, o processo de descentralização já é uma realidade, pois as empresas buscam diminuir seus custos, espaço para crescer e um sistema logístico que favoreça o escoamento da produção. Mas para que esse movimento comece a influenciar a qualidade de vida na capital, ele precisa ser mais intenso. 36% do Produto Interno Bruto (PIB) paulista - soma de todas as riquezas produzidas – ainda é gerado na capital. “Para ter uma idéia, 440 municípios de São Paulo dividem 5% do PIB total do estado”, disse.

“O tamanho da economia do município de São Paulo é igual ao PIB do Chile. Os municípios do ABC têm o PIB do Uruguai e a soma das riquezas produzidas no estado de São Paulo é igual a da Argentina. Enquanto isso, Campinas, Sorocaba, Santos, São José dos Campos, em conjunto com a região metropolitana de São Paulo, somam 90% da produção industrial do estado de São Paulo e 40% da produção do país. Uma economia gigante”, detalhou.

Rumo ao interior

Durante a apresentação, Matteo lembrou que além das indústrias, a população também tem buscado o interior para fugir dos problemas da capital. Apesar disso, muitas pessoas mudam o local da moradia para o interior, mas, como parte das empresas acaba ficando na capital, precisam se deslocar diariamente. “São Paulo já é uma macrometrópole. É só olhar as Rodovias Bandeirantes, Castelo Branco, Raposo Tavares e Dutra pela manhã”, lembrou os congestionamentos que atingem as estradas que servem a capital paulista.

“Nesse modelo voltado para o automóvel, as pessoas vivem cada vez mais longe e é cada vez mais difícil chegar ao destino. Quem fugiu de São Paulo para morar em Alphaville – condomínio de luxo da Grande SP -, por exemplo, por causa do trânsito, está começando a repensar um pouquinho. A pessoa até chega antes, mas antes no congestionamento. Hoje em dia, quem mora no interior acaba que fazendo sua vida por lá”, exemplificou Matteo.

Outro processo observado pelo economista é o da descentralização das indústrias dentro da própria cidade de São Paulo. “O Centro industrial de Itaquera, por exemplo, têm bons terrenos. Algumas atividades já estão se movendo para lá. A dinâmica da indústria e dos serviços vai atrás dessa descentralização. Ainda que pequeno, já percebemos o aumento de indústrias na região Leste, reflexo de ações da prefeitura, que deseja promover a área, que é carente de infra-estrutura e malha viária, tornado-a um grande pólo”, concluiu.


leia também

- Conselho busca diagnosticar e discutir alternativas para os problemas de SP
- Diversidade não deve ser esquecida pelas políticas públicas
- Especialista defende pedágio urbano em SP

voltartopo