Portal Aprendiz - Revista produzida por jovens da periferia de SP é sinônimo de autonomia

Content on this page requires a newer version of Adobe Flash Player.

Get Adobe Flash player

anteriores voltar

Mídia & Educação

05 de Janeiro de 2009

anteriores

Revista produzida por jovens da periferia de SP é sinônimo de autonomia

Bruna Souza

Composta por cerca de 60 jovens moradores da periferia da cidade de São Paulo (SP) e utilizando uma linguagem informal e descontraída, a revista Menisqüência é uma ferramenta de desenvolvimento, integração e manifestação da expressão criativa do jovem, além de uma forma de geração de renda.

Criada em 2001 a partir da necessidade dos jovens da região da Vila Brasilândia, zona norte da capital paulista, de se comunicarem e falarem sobre o lugar onde vivem, a revista começou com uma pequena circulação. Apoiada pelo cartunista Laerte, que inclusive sugeriu o nome – menisqüência, na gíria da periferia paulistana quer dizer rebeldia, desrespeito ou falta de dinheiro - em 2006, a Menisqüência, foi para o grande público com uma tiragem inicial de 10.000 exemplares.

Segundo o diretor da revista, Luiz Flávio Lima, a idéia é dar espaço para que o jovem se expresse. “É uma forma de que os jovens de outras regiões de São Paulo saibam o que acontece na periferia. Mas não focamos só a região, queremos que o jovem que leia se identifique conosco, independente de onde more”, revela.

Antes de produzirem o veículo, os jovens passam por oficinas de formação ministradas por voluntários e orientadores técnicos. “É ideal que quando o jovem chegue, ele já tenha uma pré-habilidade, mesmo que seja só vontade. Nós só o ajudamos a aperfeiçoá-la”, afirma Lima. Depois do curso todos os jovens fazem de tudo um pouco, desde a pré-produção até a finalização da revista, mas com o passar do tempo, vão se estabelecendo nas áreas com que mais se identificam. “O nosso papel é fazer com que eles descubram quais são seus talentos”, completa.

A revista, produzida inteiramente por jovens de 16 a 24 anos, é repleta de quadrinhos, fotografia e poesia. As pautas são definidas pelos jovens que têm total autonomia na concepção do veículo. “É uma questão de legitimidade”, afirma Lima.

Quando a revista já está pronta, os jovens têm a tarefa de vendê-la pela cidade. A um preço de R$ 3 cada, a venda funciona como forma de geração de renda para o jovem que lucra R$ 2. O valor restante é revertido para sua própria formação, segundo Lima, o jovem trabalha em prol de si mesmo.

Além do veículo impresso, os jovens fazem o site da revista, também caracterizado por uma linguagem descontraída e dinâmica. “A aprendizagem que se tem com o projeto é riquíssima, o importante são as relações que os jovens estabelecem”, defende Lima.

No último mês de dezembro foi lançada a terceira edição da revista, com uma tiragem de 20 mil exemplares. Segundo Lima, o objetivo é que a revista torne-se mensal e não aconteça em períodos esporádicos. “A maior conquista é que eles aprendem a produzir sua própria informação”, finaliza.



A relação entre a educação e as diferentes mídias como ferramentas para estimular práticas educativas (educomunicação). Esses são os focos da seção Mídia & Educação.

outros destaques

voltartopo