Portal Aprendiz - Repressão ao aluno não é vista como violência

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Academia

28 de Dezembro de 2007

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Repressão ao aluno não é vista como violência

Cássia Gisele Ribeiro

Repressão ao aluno, mesmo que agressiva, não é vista como uma forma de violência para os integrantes da escola. Essa foi uma das conclusões do mestrado da pesquisadora Caren Ruotti, defendido na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), que buscou identificar os sentidos da violência escolar a partir de uma perspectiva dos sujeitos.

Na escola em que fez a pesquisa, na cidade de São Paulo (SP), Ruotti identificou tráfico e uso de drogas no espaço escolar, agressões, ameaças de morte e a evasão de alunos e funcionários. Além disso, a instituição trocou de diretora seis vezes em um ano. Marcada e estigmatizada, a instituição pode ser vista como uma em muitas que, segundo a pesquisadora, sofrem com a questão da violência e não sabem como lidar com o problema.
  
Durante um ano, Ruotti acompanhou a rotina escolar, entrevistou membros e observou as decisões tomadas pela última diretora, que assumiu o compromisso de combater os problemas de violência sofridos pelo colégio. Entretanto, ela conta que, em um primeiro momento, buscou identificar nas falas de alunos e funcionários o que de fato significa violência para esses sujeitos e encontrou diferentes definições.

“A especificação é ampla e envolve principalmente as relações de conflito entre professor e aluno, a falta de respeito com o outro e as agressões entre colegas”, diz. De acordo com a pesquisadora, os professores reclamavam muito da impossibilidade de dar aulas diante do conflito com o poder paralelo. “Muitos diziam ter medo de se indispor com algum aluno que tivesse envolvimento com o tráfico”, diz.

Dessa forma, a pesquisadora identificou que a repressão ao aluno é apenas uma estratégia de combate à violência, e não uma violência em si. “Quando a última diretora assumiu a escola, ela decidiu investir na disciplina, e esse investimento incluía punições severas aos alunos com problemas disciplinares, inclusive transferência e expulsão”, conta.

“Essa foi a forma que a diretora encontrou para diminuir os problemas que a escola já tinha, e nesse sentido, ela obteve sucesso. A comunidade reconheceu seu trabalho e os casos graves de violência que haviam dentro da escola diminuíram”, pondera. Entretanto, a pesquisadora ressalta que essa decisão provocou outros tipos de violência, especialmente mais conflitos entre professor e aluno e a exclusão de crianças da escola.

“Ao expulsar ou excluir um aluno a escola utiliza os mesmos mecanismos que a polícia ou o poder judiciário, livrando-se do problema”, diz. “Mas esse não é o papel da educação. A direção não percebe que ao fazer isso ela se livra de um problema na escola, mas colabora para o fortalecimento de um problema social”, diz.

Segundo ela, muitas vezes o aluno era considerado culpado antes mesmo de ser ouvido, como se o comportamento dele surgisse sem motivo algum. “Há uma dificuldade na maioria das escolas a respeito das relações interpessoais. O professor não respeita o aluno, nem o aluno respeita o professor. O aluno que muitas vezes vem de um ambiente que não oferece relações respeitosas, também não encontra isso na escola”, ressalta.

Segundo a pesquisadora, outra questão que merecia uma maior atenção é a relação entre a escola e a família. “Os pais só eram chamados na escola quando o aluno cometia algum erro, mas não participavam de nenhuma atividade escolar”, conta.

A pesquisadora, entretanto, acredita que essa diretora teve um papel muito importante para o reconhecimento daquela comunidade, por ter sido a primeira que se comprometeu de alguma forma a organizar o trabalho da instituição.  Entretanto, sente falta de outras ações mais voltadas para a prevenção da violência e para o trabalho pedagógico em si.



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