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Repressão ao aluno não é vista como violência
Na escola em que fez a pesquisa, na cidade de São Paulo (SP), Ruotti identificou tráfico e uso de drogas no espaço escolar, agressões, ameaças de morte e a evasão de alunos e funcionários. Além disso, a instituição trocou de diretora seis vezes em um ano. Marcada e estigmatizada, a instituição pode ser vista como uma em muitas que, segundo a pesquisadora, sofrem com a questão da violência e não sabem como lidar com o problema. “A especificação é ampla e envolve principalmente as relações de conflito entre professor e aluno, a falta de respeito com o outro e as agressões entre colegas”, diz. De acordo com a pesquisadora, os professores reclamavam muito da impossibilidade de dar aulas diante do conflito com o poder paralelo. “Muitos diziam ter medo de se indispor com algum aluno que tivesse envolvimento com o tráfico”, diz. Dessa forma, a pesquisadora identificou que a repressão ao aluno é apenas uma estratégia de combate à violência, e não uma violência em si. “Quando a última diretora assumiu a escola, ela decidiu investir na disciplina, e esse investimento incluía punições severas aos alunos com problemas disciplinares, inclusive transferência e expulsão”, conta. “Essa foi a forma que a diretora encontrou para diminuir os problemas que a escola já tinha, e nesse sentido, ela obteve sucesso. A comunidade reconheceu seu trabalho e os casos graves de violência que haviam dentro da escola diminuíram”, pondera. Entretanto, a pesquisadora ressalta que essa decisão provocou outros tipos de violência, especialmente mais conflitos entre professor e aluno e a exclusão de crianças da escola. “Ao expulsar ou excluir um aluno a escola utiliza os mesmos mecanismos que a polícia ou o poder judiciário, livrando-se do problema”, diz. “Mas esse não é o papel da educação. A direção não percebe que ao fazer isso ela se livra de um problema na escola, mas colabora para o fortalecimento de um problema social”, diz. Segundo ela, muitas vezes o aluno era considerado culpado antes mesmo de ser ouvido, como se o comportamento dele surgisse sem motivo algum. “Há uma dificuldade na maioria das escolas a respeito das relações interpessoais. O professor não respeita o aluno, nem o aluno respeita o professor. O aluno que muitas vezes vem de um ambiente que não oferece relações respeitosas, também não encontra isso na escola”, ressalta. Segundo a pesquisadora, outra questão que merecia uma maior atenção é a relação entre a escola e a família. “Os pais só eram chamados na escola quando o aluno cometia algum erro, mas não participavam de nenhuma atividade escolar”, conta. A pesquisadora, entretanto, acredita que essa diretora teve um papel muito importante para o reconhecimento daquela comunidade, por ter sido a primeira que se comprometeu de alguma forma a organizar o trabalho da instituição. Entretanto, sente falta de outras ações mais voltadas para a prevenção da violência e para o trabalho pedagógico em si. |
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