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Escola infantil deve ser fórum de discussãoKarina Costa
"As instituições de educação infantil precisam se transformar em fóruns de formação continuada que envolva pais e professores. A escola deve funcionar como um suporte da família para discussões cujo tema é o dia-a-dia dos alunos na escola, além dos valores e atitudes familiares," afirma a doutora em metodologia de ensino e educação comparada da Universidade de São Paulo (USP), Gisela Wajskop. Para ela, esse é um dos desafios na criação de novos paradigmas para a educação infantil. Wajskop cita ainda a maneira de "pensarmos a criança e sua constituição social". Ela lembra que os pequenos vivem sem infância e longe dos grandes centros urbanos e dos núcleos de produção de conhecimento. "Hoje a criança é sujeito social de consumo, analfabeta e que não brinca. Em todas as classes sociais elas nascem sem direito à infância", critica. "Ela é um mini-adulto, que tem educação antecipada, com muitas responsabilidades". A especialista faz uma análise de alguns modelos pedagógicos adotados. Na pedagogia tradicional, a criança é tratada como um ser selvagem. "Se uma criança resolve brincar na lama é vista como um sem limite. Não se vê a atitude dela como uma busca de conhecimentos e de pesquisa. O que se faz é imediatamente colocar disciplina na criança, moralização e encher sua cabeça de regras do mundo adulto", condena. "Certa vez, fui visitar uma escola e fiquei chocada ao me deparar com crianças de cabeça baixa sob a carteira após terem terminado o exercício de preencher desenhos de coelhinhos com bolinhas de papel ou de terem reproduzido seus nomes diversas vezes. Essa é a realidade de muitas escolas. Colocá-las para pensar, estimular idéias e brincar não fazem parte do cotidiano", reclama. Há ainda a pedagogia marcada pelo pensamento de que as crianças devem ser privadas dos problemas sociais, apesar de elas viverem essa realidade. Há também a pedagogia sócio-histórica onde se tem consciência de que a criança é um ser da sociedade, que vive a dinâmica da vida real. "Esses modelos pedagógicos seguidos, certos ou errados, convivem com alguns desafios a serem superados. Entre eles, há a antecipação da escolaridade, a discussão do que se espera das creches e das escolas, suas condutas educacionais em relação ao acolhimento de alunos vindos de famílias com realidades e composição tão diferentes, além da inserção precoce da criança no mundo adulto", comenta. Sobre o ensino fundamental de nove anos, Wajskop afirma que é a favor da ampliação mas que a discussão está sendo mal feita. Ela questiona o fato de um aluno de cinco anos ter direito a brincar no parque da escola, ter acesso a brinquedos e coisas mais lúdicas, enquanto os de 10 anos passam a ter muitas disciplinas para estudar. "Claro que é importante para o desenvolvimento deles essas disciplinas, porém acessos ao pátio, ao parque e aos brinquedos fazem bem e ajudam no aprendizado", defende. Para ela, este é o século para discutir a educação infantil e, por isso, é o momento de acabar com concepções ultrapassadas. "Em que paradigma nos baseamos quando dizemos que aluno que chega atrasado deve voltar para casa ou que eles não devem ter dia específico para brincar? Não há soluções efetivas para uma nova escola, mas há uma série de modelos importantes a serem considerados e testados", diz ela lembrando de exemplos como a escola democrática. leia também
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