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Congressos e Seminários

04 de Novembro de 2008

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''Conceito de sustentabilidade é bom, mas ainda vago''

Vivian Lobato

“O conceito é bom, mas ainda é muito vago. A palavra sustentabilidade é muito ampla e o grande problema é que ela não indica o caminho para se atingir o conceito”. A constatação é do presidente do Instituto Brasil PNUMA - Comitê Brasileiro do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Haroldo Mattos de Lemos.

Durante o VI Simpósio Brasileiro de Educomunicação, que aconteceu entre os dias 28 a 30 de outubro, no Sesc Vila Mariana, na cidade de São Paulo (SP), o professor definiu que sustentabilidade significa atender as necessidades da geração presente sem interferir nas necessidades das gerações futuras.

Para Lemos, há uma série de desafios e serviços a serem cumpridos antes de conseguirmos atingir o desenvolvimento sustentável. Garantir a disponibilidade de recursos naturais é um dos exemplos, assim como, não ultrapassar os limites da biosfera para assimilar resíduos de poluição e reduzir a pobreza mundial.

“Existem algumas ações de extrema importância para se conseguir acabar com a pobreza mundial. Estabilizar a população mundial é uma delas. Se a população continuar a crescer nunca se atingirá a sustentabilidade”, afirmou o professor.

Para Lemos, melhoria do nível de educação também é muito importante. “A educação é muito importante para a sustentabilidade, pois educando a população se conscientiza para a diminuição do consumo. Se todo mundo fosse ter um nível de consumo igual, seriam necessários mais quatro planetas”, ressaltou.

Dados do Instituto Akatu de Consumo Consciente revelam que a humanidade já consome 25% mais recursos naturais do que o planeta é capaz de repor. “O consumo de recursos naturais cresceu de forma descontrolada. Todos os dias nós transformamos recursos, sejam eles renováveis ou não-renováveis, em bens. Com isso, já estamos enfrentando escassez em diversas matérias-primas, o petróleo, por exemplo, está com seus anos contados”, destacou o professor da UFRJ.

Para Hélio Matar, presidente do Instituto Akatu, também presente no evento, o que falta é uma conscientização da população mundial. “São apenas 20% que utilizam quase 80% de todos os recursos”, declarou.

Economia sustentável

Para o presidente do Instituto Brasil PNUMA, é muito importante estimular uma economia a favor da sustentabilidade. “É imprescindível fazer uma economia que incentive a sustentabilidade, taxar mais o que queremos reduzir e taxar menos o que queremos aumentar. É necessário esse incentivo por parte do governo. Não adianta ter um papel reciclado, se ele custa o dobro do papel normal”, apontou.

Criar um novo indicador de desenvolvimento foi outro tema levantado. “O Produto Interno Bruto (PIB) não mede a degradação dos recursos naturais. Precisamos de um indicador que seja mais detalhado, que mostre não só o crescimento, mas como, e de que forma, ele tem aumentado”, finalizou Lemos.




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