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Congressos e Seminários

05 de Agosto de 2008

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Escola é território propício à hostilidade, mas tráfico de drogas não entra na instituição

Paula King

Apesar da escola ser um território propício à hostilidade, por não preparar satisfatoriamente o estudante para ao mercado de trabalho e apresentar limitações em relação à construção da autonomia, ela não é um local privilegiado para o aliciamento e comércio de drogas.

A conclusão é da pesquisadora do Centro Mineiro de Toxicomania e professora do Departamento de Sociologia da PUC Minas, Regina Medeiros, que participou do I Congresso da Associação Brasileira Multidisciplinar de Estudos sobre Drogas (Abramd) sobre Drogas e Dependências, na cidade de São Paulo (SP).

Regina estudou seis escolas, entre públicas e privadas, de Ensino Médio na cidade de Belo Horizonte (MG), de 2004 a 2006. O objetivo foi analisar a instituição como espaço para as manifestações de atos de violência e sua relação com as drogas. Para isso, a pesquisadora entrevistou alunos, pais, professores e funcionários.

Segundo o estudo, menos de 7% dos entrevistados fizeram relação da violência escolar com drogas na escola. Os fatos violentos identificados pela pesquisadora dentro das escolas estão limitados a brigas, agressões verbais e gestuais, desmoralização do aluno e do professor, autoritarismo e desrespeito ao patrimônio. “O motivo máximo de violência que presenciei foi quando havia invasão à propriedade privada, quando alguma coisa que pertence a alguém era desrespeitada”, lembrou.

“Dessa forma, os atos de violência que ocorrem dentro das escolas acontecem em lugares e horários delineados como recreio, aula de educação física, horário de saída e eventos”, disse. Assim, não há invasão do espaço alheio e nem disputa de território entre escola e tráfico.

Estereótipo

“No final, concluí que a mídia contribui e muito para a construção da imagem da violência e de distribuição de drogas dentro das escolas”. Segundo ela, “o estereótipo que temos de uma escola e dos alunos é como um filme de guerra”. Assim, disse, a instituição se torna uma espécie de bode expiatório para os reais problemas estruturais do sistema de ensino.

“Além disso, a forma de estruturação das políticas publicas faz da escola um lugar pouco atrativo, destitui o professor do lugar do saber e inibe a autonomia”, completa.

Regina também identificou durante a pesquisa que professores das escolas, públicas e privadas, não conhecem e não têm relação com o entorno da escola e nem com a comunidade local. “Isso faz com que o educador não se identifique com o próprio local de trabalho”, explica.




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