Diversidade cultural brasileira facilita gestão em outros países

A diversidade cultural existente no Brasil facilita a gestão de pessoas nas unidades do exterior. Esta foi uma unanimidade no último dia do 32º Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas (CONARH – 2006), que aconteceu na cidade de São Paulo.

"É essencial que a empresa, quando possui filiais em outros países, seja capaz respeitar a cultura daqueles que ali vivem", acredita o gerente executivo recursos humanos da Petrobras na Argentina, Heitor Chagas de Oliveira. "A princípio foi assustador, os argentinos têm uma cultura sindical completamente diferente da dos brasileiros. A relação com os colegas, com a empresa, tudo é bastante diferente, possui outra lógica", conta. E confessa: "Por mais que isso seja um grande absurdo, nossa primeira vontade é padronizar, porque a realidade pode ser chocante".

No entanto, Oliveira pondera ao afirmar que é essencial que se conte com a colaboração dos profissionais e, para isso, é necessário que eles se identifiquem com a empresa. "Temos que exercer o papel de buscar resultados em uma cultura que não é a do país", diz.

Para o diretor de organizações e pessoas da Odebrecht, Guilherme Abreu, o grande propósito deve ser a preservação da cara da empresa. "É necessário convencer os profissionais que os valores da empresa são dignos de sua colaboração", afirma. "Não é mudando os valores que a empresa irá se adaptar à diversidade cultural dos outros países, mas conhecendo a cultura daquela região e mudando, se necessário, a forma de se relacionar com os colaboradores".

O vice-presidente de desenvolvimento organizacional e pessoas da Embraer, Antônio Julio Franco, falou sobre a necessidade de as empresas investirem em desenvolvimento tecnológico e em educação corporativa para sobreviver atuando no exterior. "Esse é um dos grandes desafios pois, no Brasil, temos muito pouco incentivo para o desenvolvimento", alerta.

Franco conta que a Embraer investe na formação de cerca de 600 profissionais de aviação e engenheiros aeronáuticos para ter mão-de-obra qualificada para exercer o trabalho. "Se fossemos contar apenas com os profissionais que saem das universidades, não seria suficiente", desabafa.

Oliveira, diretor da Petrobras, concorda. "A criação da Universidade da Petrobras foi essencial para a expansão da empresa. O mercado não forma profissionais qualificados suficientes para nossas necessidades", conta o diretor da empresa, que forma mais de 1700 profissionais por ano.