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Fazendo a Diferença

31 de Agosto de 2009

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Caminho de Volta auxilia famílias de crianças e adolescentes desaparecidos

Talita Mochiute

Auxiliar famílias de crianças e adolescentes desaparecidos é o principal objetivo do projeto Caminho de Volta, desenvolvido pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) em parceria com a Secretária de Segurança Pública do Estado de São Paulo. Além de apoio psicossocial, desde 2004, a iniciativa disponibiliza tecnologia necessária para formar um banco de DNA.

O sistema, criado pelo Caminho de Volta, busca ajudar na identificação de crianças e adolescentes desaparecidos. Após participar de uma entrevista com psicólogos do projeto, o material biológico dos pais ou irmãos é coletado para integrar o Banco de Referência.  Esses dados permitem uma avaliação rápida e precisa do vínculo genético das crianças e adolescentes que forem localizados. Os dados das crianças formam outro banco.

“Um dos grandes problemas é a rápida mudança de fisionomia das crianças e adolescentes. Geralmente, o único documento é uma foto antiga. No Brasil, falta um mecanismo de busca efetivo”, comenta a coordenadora do Caminho de Volta e professora da FM-USP, Gilka Gattás.

Gilka lembra que, só no estado de São Paulo, 9 mil crianças e adolescentes desaparecem por ano. No Brasil, são 40 mil. “Esse dado é subestimado. Só entram nas estatísticas casos com registro na polícia, com B.O. (boletim de ocorrência)”, ressalta. 
 
Segundo a coordenadora do projeto, o Banco de DNA evita o deslocamento da família para outra cidade para identificar a criança ou o adolescente encontrado. Em caso de morte, também elimina a necessidade de reconhecer o corpo no Instituto Médio Legal (IML). “Oferecemos um pouco de conforto à família que vive a angústia da falta de um filho”, complementa Gilka.

As informações genéticas compõem um Banco de Dados, com informações sobre a dinâmica familiar, o desaparecido e as circunstâncias do desaparecimento. Quando uma família adere ao projeto, o primeiro passo é a entrevista e a coleta de sangue.  A partir de então, os agentes do Caminho de Volta oferecem suporte psicológico aos pais, acompanhando as buscas e encaminhando para outros membros da rede psicossocial.

Gilka defende a criação de banco de dados em outros estados. “Um desafio é que todo o Brasil possa se beneficiar do serviço”. Hoje o projeto atende apenas São Paulo.

Dados para prevenção

Outro eixo do Caminho de Volta é identificar as causas do desaparecimento de crianças e adolescentes, por meio da análise dos dados do projeto. “No Brasil, há poucas pesquisas sobre os motivos dos desaparecimentos. Também não sabemos onde as crianças e adolescentes ficam. Os estudos podem ajudar na prevenção do fenômeno”, afirma Gilka.

De acordo com a coordenadora do Caminho de Volta, subtração por desconhecidos, subtração por famílias, fugas, expulsões, abandono, perdas e acidentes são os modos mais conhecidos como as crianças e adolescentes desaparecem. “A maior parte é fuga. É alta também a taxa de recorrência”.

Pesquisa, realizada a partir dos dados das primeiras 650 famílias atendidas pelo projeto, mostra que 79% dos casos de desaparecimento são fugas de casa. Dos 650 casos, 53% eram de meninas e 47% de meninos.  Mais da metade (51%) das crianças e adolescentes já tinham fugido outras vezes, sendo que 36% registravam outras quatro fugas.

“Muitas fugas são originadas por conflitos familiares. A família deve ter apoio para entender as razões que levam à fuga”, comenta Gilka. O levantamento aponta ainda que outras causas, como maus tratos (31%) e abuso sexual, incesto e exploração sexual (12%).

Dos 650 casos, 63% das crianças e adolescentes foram encontradas. Cerca de 20% voltaram espontaneamente para casa. Já 16% foram encontradas em abrigos. A porcentagem de crianças e adolescentes encontradas nas ruas e na casa de amigos é muito próxima, 13% e 12%, respectivamente. A casa de familiares foi o destino em 7% dos casos. Outros 4% ficaram na casa de estranhos.

“Crianças e adolescentes com deficiência são bastante vulneráveis ao desaparecimento”, aponta Gilka. Dos 650 casos, cerca de 10% eram de pessoas com deficiência. O índice de fuga foi de 80%; já a taxa de recorrência foi de 61%.

Quando indagadas sobre o motivo do desaparecimento, crianças e adolescentes localizados apontam conflito familiar (30%) e desejo de aventura (25%). Esse dado se inverte nos casos envolvendo crianças e adolescentes com deficiência. 50% disseram desejo de aventura e encontrar pessoas, enquanto 21% afirmaram conflito familiar.  Do universo de pessoas com deficiência, 69% foram encontradas, sendo que 41% foram entrevistadas pelo projeto.



O Fazendo a Diferença divulga ações e programas que buscam, de maneira criativa, solucionar problemas locais. Além de divulgar as iniciativas, a ideia é apresentar exemplos que possam ser disseminados em todo o país.

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