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Congressos e Seminários

03 de Maio de 2007

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Escola é o espaço da repressão que busca a civilização

Alan Meguerditchian

"Dia de prova. O professor carrasco distribui a avaliação para os alunos alertando que ela deverá ser feita individualmente e sem consulta. A prova começa. O professor circula pela sala, não permitindo o menor movimento de cabeças dos estudantes. De repente, o educador começa a sofrer com um problema que o obriga a sair. A partir deste momento, está a critério de cada um dos estudantes a escolha entre fazer a prova seguindo as instruções do professor ou copiar as respostas do colega".

O exemplo é do professor doutor de Ética na Comunicação da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Clovis Barros Filho, e serviu para tratar de maneira concreta a moral, tema da palestra A ética da modernidade e sua ação transformadora na educação e na sociedade, realizada durante o evento Educar Educador, em São Paulo.

Segundo a pequena história, a partir do momento em que os alunos estão sozinhos na sala, entra em cena a moral. "Todos nós acreditamos saber sobre moral e nos constrangemos se dizermos que não. O filosofo é o único estudioso com legitimidade e propriedade para defini-la". Desta forma, Barros Filho resgatou Aristóteles e definiu moral como o pensamento pelo qual o homem deveria agir. Pensamento este que está restrito ao próprio comportamento, quer dizer a si mesmo, e é feito de maneira livre.  

Em tom cômico, para não deixar o assunto "enfadonho", Barros Filho continuou. "Vocês podem me perguntar, mas não é possível avaliar a ação dos outros? Respondo. Claro que é. Aliás, isso é o que vocês fazem a maior parte do tempo na sala dos professores. Mas valorar a ação dos outros é moralismo, não moral. Sem isso, não seria possível vivermos em sociedade".

Descontruindo o senso comum sobre a moral, Barros Filho disse que a educação é um processo totalmente moralista. "Dar oito ao invés de 10 ao aluno é atribuir valor ao comportamento do outro. A escola é o espaço da castração. Assim, a moral dificilmente é observada neste espaço de repressão que busca a civilização".

Fazendo um paralelo ao trânsito da USP, em São Paulo, onde trabalha, o professor lembra da proposta que surgiu para diminuir os acidentes. "O prefeito da Cidade Universitária disse que queria colocar radares para moralizar o trânsito. A proposta é discutível, mas o conceito equivocado. Quem quer moralizar, não coloca detector de velocidade. Moralizar seria fazer com que as pessoas, refletindo sobre o próprio comportamento, diminuíssem a velocidade de seus carros. Colocar radar é fazer as pessoas, por medo da multa, por exemplo, não correrem", concluiu.




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