Educação não-formal é para todos

“A educação não-formal é para todas as classes sociais, mas no caso dos jovens e adultos menos favorecidos é também uma maneira de ‘tapar o buraco’ na formação dessas pessoas”. Essa foi a afirmação da pesquisadora de educação não-formal da Unicamp Valéria Aroeira Garcia durante o II Congresso Internacional de Pedagogia Social, que aconteceu na semana passada na Universidade de São Paulo.

Para a pesquisadora, a educação não-formal vem como um adicional, um diferencial para as camadas favorecidas economicamente e como algo compensatório e complementar para as pessoas com menor acesso à educação. “Cabe perguntarmos qual o sentido da complementaridade, pois para uma parcela da sociedade, ela vem somar, porém, para outra parcela, é o que falta”, contesta Valéria.

“Em função da complicada gama de acontecimentos, a complexidade da organização social, a idéia de núcleo familiar, a formação escolar como imprescindível para a constituição do ser social moderno, a democratização da escola pública, a urbanização crescente percebeu-se a necessidade de uma educação complementar para aqueles que a escola não foi preparada e nem constituída para receber”, contextualiza a pesquisadora.

De acordo com a pesquisadora, que estuda o tema há vinte anos, a educação não-formal deu seus primeiros passos em 1967, quando o pedagogo norte-americano Coombs divulgou que havia uma crise na educação. A partir desse momento, iniciou-se a aceitação e a visualização de outros modos de educação, outras possibilidades educacionais fora do formato tradicional.
 
No Brasil, segundo a pesquisadora, este ramo da educação iniciou-se com a alfabetização de adultos e na educação popular e, a partir daí, aconteceu uma mescla de ações entre o campo educacional, o serviço social, a assistência social e os movimentos sociais. Por outro lado, para Valéria, essa prática educacional apareceu como resposta para “incompetência da instituição escolar”.