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Fazendo a Diferença

13 de Dezembro de 2007

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Instituto utiliza música como instrumento de inclusão social

Cássia Gisele Ribeiro

Em 1996, ao ver pela televisão as notícias sobre um incêndio que devastou a comunidade de Heliópolis, em São Paulo (SP), o músico Silvio Baccarelli decidiu utilizar o que melhor sabia para ajudar os jovens que lutavam para recuperar suas casas e pertences.

Baccarelli procurou uma escola pública da região para estabelecer uma parceria e sugeriu ensinar para as crianças a arte de tocar instrumentos de orquestra. A primeira turma atendeu 36 jovens, que tiveram aulas de violino, viola, violoncelo e contrabaixo no Auditório Baccarelli, na Vila Mariana, zona sul da cidade. Nessa época, o maestro custeava todas as despesas.

Hoje, o Instituto Baccarelli é uma associação civil sem fins lucrativos que busca oferecer formação musical e artística de excelência para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. Atualmente, a instituição atende 970 jovens na própria comunidade de Heliópolis.

“Por meio da música levamos ao jovem a liberdade, a consciência, os sonhos e a missão da bondade”, acredita Baccarelli. Além disso, o músico afirma que além do desenvolvimento pessoal, a música cria a possibilidade de profissionalização. “Sempre buscamos mostrar a esses jovens que eles não estão sozinhos no mundo. E que se alguém proporcionou a eles essa oportunidade, eles têm o compromisso de proporcionar oportunidade a outras pessoas”, diz.

A organização gerencia os projetos: Sinfônica Heliópolis, de prática orquestral; Orquestra do Amanhã, de iniciação e aprimoramento em estudo de instrumentos; Coral da Gente, de iniciação e aperfeiçoamento em canto coral com técnicas de expressão cênica e Encantar na Escola, iniciação em canto coral aplicado em escolas da rede pública. 

Além disso, o instituto firmou uma parceria com o Mozarteum Brasileiro, uma organização que tem como objetivo a difusão da música erudita na sociedade brasileira. Dessa forma, os alunos do Instituto Baccarelli assistem aos concertos da programação internacional do Mozarteum, atividade que possibilitou, em 2007, a ida de jovens a festivais de música erudita na Europa.

“Entre os professores estão alguns dos melhores regentes infanto-juvenis e instrumentistas do país”, conta Baccarelli. “Esperamos que, no futuro, muitos dos nossos alunos possam lecionar também”.

Para o futuro, Baccarelli tem planos: está sendo construída uma nova sede, específica para o projeto, dentro da comunidade de Heliópolis. Segundo o maestro, o espaço terá recursos que contribuirão diretamente para a melhoria da formação dos alunos, além de ter capacidade para um número ainda maior de estudantes. “Nosso objetivo é melhorar a qualidade, ao mesmo tempo em que ampliamos o nosso atendimento”.

Essa e outras experiências serão apresentadas no Seminário Aprendiz que acontece na sexta-feira, dia 14 de dezembro, em São Paulo (SP).



O Fazendo a Diferença divulga ações e programas que buscam, de maneira criativa, solucionar problemas locais. Além de divulgar as iniciativas, a ideia é apresentar exemplos que possam ser disseminados em todo o país.

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