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Congressos e Seminários

28 de Agosto de 2008

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Livro ilustrado não é apenas entretenimento

Stefano Azevedo

A escritora e ilustradora Eva Furnari, com mais de 50 livros publicados e 7 vezes vencedora do Prêmio Jabuti, defende que livro ilustrado é coisa séria: "Acho que as pessoas não se perguntam por que razão os livros infantis sempre têm figuras. As ilustrações fazem muito mais do que entreter, pois acrescentam para as crianças a familiaridade com os livros e o contato com a arte. Não é à toa que livros ilustrados sejam utilizados como material educativo", disse a autora em debate no qual também participaram os escritores-ilustradores Angela Lago, Fernando Vilela e Ivan Zigg, na 20ª Bienal do Livro em São Paulo. Em diversos aspectos, eles colocaram os potenciais educativos destes livros que contam e encantam.

Temas vão muito além do didatismo

Eva fala sobre a importância da temática dos livros para seus pequenos leitores. "Os livros infantis fazem parte da formação das pessoas. As histórias que contam, assim como fábulas, organizam simbolicamente os conflitos, as dificuldades de superação, os problemas de auto-estima, que são questões humanas. Eles têm um grande papel educativo”, disse ela. No entanto, este potencial educativo não deve ser confundido com temas literais e didáticos, como explicou o autor Ivan Zigg: “Não é porque um livro fala de ecologia, ou de folclore, ou de índio, que ele é bom para as crianças. Elas vão se interessar pela obra não porque faz parte da bibliografia recomendada, mas sim porque tem temas que as intrigam, que tenha uma atmosfera que as agrade”. O autor criticou a preferência do mercado editorial por livros ilustrados que são voltados mais para agradar os professores do que as crianças.

Essa tendência editorial pode privilegiar as obras por seu tema ao invés de sua qualidade. Ainda assim não falta espaço para trabalhos que usem estas questões de maneira poética e literária. Para o autor Fernando Vilela, existe o risco do escritor querer aproveitar a onda temática e produzir livros que ficam reféns de um tema, que se apóiam nele e se tornam obras vazias. “Porém, temas como respeito ao próximo, respeito pela natureza, relações humanas, estão presentes em toda literatura, e podem da mesma forma ser tratados poeticamente no livro ilustrado”, sintetizou ele.

Uma porta para a arte

Aquarela, guache, pastel seco, colagem, xilogravura fazem parte das diversas técnicas que os autores utilizam em suas ilustrações. No início de suas apresentações na Bienal, todos falaram de sua pesquisa artística, cada uma muito particular e única. Eva, por exemplo, está buscando em seus desenhos a espontaneidade de seus rascunhos, enquanto Angela Lago estuda o livro enquanto objeto e o virar de página como elemento narrativo. Mas um ponto comum para todos os autores é que eles concordam que o ilustrador de histórias é um verdadeiro artista.

Para Vilela, que tem formação superior em artes plásticas, o livro ilustrado propicia uma experiência única da arte. Segundo ele, “o livro é um objeto íntimo que a criança tem ao seu alcance dentro de casa, ou na escola. Ele acaba tendo um papel na educação do olhar da criança, enriquecendo o seu repertório visual, principalmente os livros que experimentam mais”, disse.

O livro ilustrado também é, muitas vezes, o primeiro contato da criança com as artes. “O livro ilustrado é uma porta para a criança chegar na arte, e é um caminho muito mais fácil do que uma galeria ou um museu”, disse Eva.

Lado a lado com a leitura

Finalmente, o livro ilustrado tem conseqüências diretas no desenvolvimento cognitivo da criança, nas suas noções de lógica, na sua percepção de seqüência, uma vez que as imagens também são uma forma de narração. Segundo Angela Lago, “as figuras não são apenas uma ajuda para contar uma história escrita, mas sim já contam uma história. A ilustração também tem o seu narrador, que vai dizer algo de uma maneira nova”, disse ela.

Assim, o livro ilustrado se torna atraente mesmo para crianças que ainda não dominam a escrita, trazendo para elas familiaridade com a literatura. Ao mesmo tempo que se interessam pelas imagens, elas se estimulam a compreender o texto escrito, fazendo do livro ilustrado um recurso excelente na alfabetização. Definitivamente, não é à toa que os livros ilustrados são usados como material educativo.




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