Portal Aprendiz - OEA lança ultimato a regime de Honduras

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Notas Internacionais

02 de Julho de 2009

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OEA lança ultimato a regime de Honduras

A Organização dos Estados Americanos (OEA) deu um ultimato ontem ao governo de facto de Honduras: o país tem 72 horas para restituir o poder ao presidente deposto Manuel Zelaya ou será suspenso da entidade. Nessas 72 horas, o secretário-geral da organização, José Miguel Insulza, negociará com representantes do governo interino e com Zelaya.

Caso não haja avanços até sábado, quando a Assembleia-Geral da OEA volta a se reunir, Honduras pode ser suspensa da instituição na segunda-feira. "Se Insulza voltar de mãos vazias, Honduras será suspensa da OEA e perderá acesso a vários componentes de ajuda da comunidade interamericana", disse ao Estado um alto funcionário da Casa Branca. Honduras pode perder os subsídios de US$ 40 milhões anuais fornecidos pelos EUA, por exemplo.

O governo americano acredita que o isolamento internacional forçará o presidente autoproclamado de Honduras, Roberto Micheletti, a aceitar a volta de Zelaya. "No século 21, esses golpes não duram muito - será difícil para Honduras manter sua posição diante do isolamento de toda a comunidade internacional", disse o funcionário da Casa Branca.

"Zelaya deverá fazer algumas concessões, como compromissos formais de não buscar a reeleição, e o governo interino pode arrancar promessas de ajuda financeira para receber de volta o líder hondurenho", opina Christopher Sabatini, diretor do centro de estudos Conselho das Américas.

Os EUA também suspenderam toda a cooperação militar com o Exército de Honduras. Os 600 soldados americanos da base Soto Cano, em território hondurenho, cancelaram os exercícios com os militares desse país, informou o Pentágono ontem (mais informações no box). Mas a Casa Branca deve esperar até segunda-feira para decidir sobre a volta de seu embaixador em Tegucigalpa e a ajuda financeira a Honduras.

O presidente deposto desistiu de voltar para Honduras hoje. "Vamos esperar 72 horas para o processo se desenrolar", disse Zelaya, que está agora no Panamá para a cerimônia de posse do presidente Ricardo Martinelli. "Meu retorno a Honduras está programado para o fim de semana."

Thomas Shannon - o mais alto diplomata americano para a América Latina e indicado para ser o embaixador em Brasília - e Dan Restrepo, responsável pela região no Conselho de Segurança Nacional, encontraram-se com Zelaya na de terça-feira à noite.

Foi o governo americano e alguns representantes da OEA que conseguiram dissuadir o líder hondurenho de voltar hoje para seu país. Zelaya tinha a percepção de que seria recebido em triunfo por seus eleitores. Mas entre autoridades americanas e da OEA não há tanta certeza. Eles acham que é temerário Zelaya voltar antes que seja acertado um acordo com Micheletti.

"Fizemos o presidente Zelaya ter o bom senso de não voltar já para Honduras", disse uma fonte do governo americano.

No sábado, a Assembleia-Geral da OEA se reunirá novamente para ouvir o relatório de Insulza sobre seus esforços diplomáticos na tentativa de reinstalar Zelaya no poder. Se não houver avanços e a OEA de fato suspender Honduras na segunda-feira, essa será a medida mais drástica tomada pela entidade desde 1942, quando Cuba foi suspensa.

A Casa Branca admitiu ter grandes ressalvas em relação à decisão de Zelaya de convocar o referendo sobre a reeleição e a OEA terá de abordar esse tema. Segundo Ruy Casaes, embaixador do Brasil na OEA, a entidade está avaliando se essa decisão desrespeitou a Carta Democrática Interamericana, mas não pretende fazer uma avaliação da situação interna do governo Zelaya.

Vários países, entre eles Colômbia e Itália, anunciaram sua intenção de retirar embaixadores de Tegucigalpa. Em Washington, porém, o embaixador de Honduras Roberto Flores reconheceu o governo de facto hondurenho - e foi destituído por Zelaya do Panamá. Flores afirmou que "não houve um golpe de Estado".

(O Estado de S.Paulo)



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