Experiências de educação comunitária são compartilhadas

“Estamos lidando com sonhos. Mas também estamos lidando com realizações”. As palavras do secretário municipal de educação de Belo Horizonte (MG), Hugo Vocurca, resumem bem o clima do seminário A Invenção dos Bairros Educativos, promovido pela Associação Cidade Escola Aprendiz, em São Paulo (SP), nesta sexta-feira (14/12). Uma mistura de satisfação pelos projetos realizados e a certeza de que ainda há muito que fazer.

Durante o evento, que marcou o 10º aniversário do Aprendiz, experiências de educação comunitária foram compartilhadas. Os projetos de Belo Horizonte e Nova Iguaçu (RJ) indicaram o quão longe o bairro-escola pode chegar. Ambas as experiências foram transformadas em políticas públicas e hoje servem como inspiração para o Ministério da Educação (MEC) disseminar o conceito pelo país.

“O bairro-escola é replicável em qualquer lugar do mundo, porque depende de gente”, afirma a coordenadora do Bairro-Escola de Nova Iguaçu Maria Antonia Goulart, que ressaltou a importância das parcerias na construção da educação comunitária. “Assumir a nossa incompletude não é tarefa simples”, disse.

Outra ação apresentada foi o projeto O centro é uma sala de aula, que, desde 2005, leva alunos e professores ao centro da cidade de São Paulo (SP) para que eles utilizem os equipamentos culturais da região como extensão da sala de aula. O projeto já atendeu 13 mil estudantes. “As 80 parcerias foram as nossas grandes vitórias”, disse a coordenadora do projeto Olga Arruda.

Pinacoteca e Museu da Língua Portuguesa são alguns dos parceiros que o projeto conseguiu integrar. “Os alunos saem incentivados a procurar mais informações sobre a língua portuguesa”, disse Antonio Sartini, superintendente do Museu da Língua. “Aumentou a retira de livros de Guimarães Rosa”, lembrou a diretora da EMEF Duque de Caxias Maria Cáceres, que apresentou o centro e o Museu da Língua aos seus alunos por meio do projeto.

“Aprender é se encantar. E o bairro-escola dá certo porque trabalha com encantamento”. A satisfação com o conceito foi mostrada pela diretora da Fundação Alphaville Mônica Picavea, que implementou a educação comunitária como instrumento de harmonizar o relacionamento do condôminos com a população do entorno.

Além da apresentação das experiências, o Prêmio Educador Inventor IV foi entregue aos educadores Silvio Baccarelli, do Instituto Baccarelli, que forma jovens em música erudita, e Sergio Vaz, da Cooperativa Cultural da Periferia (Cooperifa), que promove um sarau em um bar da zona sul da capital paulista.

“Esses educadores reinventam a cidade. Eles são exemplos de engajamento”, disse o fundador do Aprendiz, Gilberto Dimenstein. Para marcar a primeira década da organização, ele lembrou as dificuldades do início. “Nós nunca sabíamos se o próximo aniversário aconteceria. E a continuidade do trabalho não seria possível sem os nossos parceiros”.

Lembrando o início da história do Aprendiz, Dimenstein entregou um selo de homenagem ao diretor do Colégio Bandeirantes, Mauro Aguiar. “O Bandeirantes foi o nosso primeiro parceiro. Faz parte do nosso DNA”, disse o fundador do Aprendiz. “A escola estava fechada na sua própria realidade. É preciso abrir as portas”, completou Aguiar.

Também foram apresentados os resultados de uma das mais recentes parcerias do Aprendiz. O software BairroEscola.Net, desenvolvido pela parceria com a Fundação Vanzolini, identifica as potencialidades da comunidade por meio de um grande banco de dados virtual.

“É uma satisfação ver que as nossas experiências influenciam mesmo as vidas dos nossos jovens”, disse o presidente da organização Miguel Pereira Neto.