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Fazendo a Diferença

25 de Agosto de 2009

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Terapia Comunitária gera rede social de apoio

Alexandre Saconi

Reunir pessoas em um espaço de convivência que possibilita a troca de experiências, sentimentos e conhecimentos, gerando uma rede social de apoio. Com este objetivo, a Terapia Comunitária (TC) destaca-se como forma de empoderamento das pessoas para resolver problemas em comum.

Desenvolvida pelo médico Adalberto de Paula Barreto, em parceria com a Universidade Federal do Ceará, a prática é aplicada há cerca de 20 anos. Em 2008, a Terapia Comunitária passou a ser tratada como política pública pelo Ministério da Saúde. Profissionais foram treinados para implementá-la no Sistema Único de Saúde (SUS).

A professora do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Maria Helena Pereira Rosalini, adverte que, ao contrário do que possa parecer, a TC não lida com patologias. “Ela visa trabalhar com problemas do cotidiano, como alcoolismo, dependência e dificuldades sócio-econômicas. Pelo nome, muitas vezes as pessoas confundem com Psicoterapia”, comenta.

Em linhas gerais, a TC reúne um grupo de pessoas. Os participantes falam de seus problemas e são escutados pelos demais. Outro integrante que passou pelo mesmo problema, ou por um similar, conta sua história, disponibilizando sua maneira de resolvê-lo para todos. A professora Maria Helena lembra que, mesmo morando em uma mesma comunidade, nem sempre as pessoas se sentem à vontade ou têm liberdade para discutir seus problemas de maneira aberta. “Ali, ela cria uma rede de apoio”, complementa.

A psicóloga Denise Carreira, terapeuta comunitária na prefeitura de São Paulo, declara que “esse novo paradigma que estimula uma ação terapêutica criativa e efetiva capaz de perceber o sofrimento em rede, ver além do sintoma, é, sem dúvida, o maior desafio”. Ela explica que cada encontro é dividido em Acolhimento, Escolha do tema, Contextualização, Problematização e Finalização.

No Acolhimento ocorre a recepção e a acomodação de todos os participantes, além de se explicar sobre as regras ou condições para o funcionamento do grupo. Em seguida, todos os integrantes podem colocar os problemas que os preocupam – sempre de maneira respeitosa, sucinta e sem aconselhamentos, para que ocorra a Escolha do Tema.

Posteriormente, ocorre a Contextualização, na qual aquela pessoa que levantou o problema detalha melhor a situação. Aqui, todos os participantes, inclusive os terapeutas, podem fazer perguntas.

Com isso, parte-se para a Problematização – etapa na qual o grupo se envolve no problema especificamente, com as alternativas apresentadas. “Entende-se que o grupo alcança uma compreensão diferenciada do problema, assim como a própria pessoa que o expôs pode vê-lo em diferentes vieses e compreensões”, complementa Denise.

Um dos diferenciais da TC é o fato de sua abertura para a participação das pessoas. “Por ser um espaço aberto, ninguém é obrigado a falar. Quando uma pessoa diz ‘eu passei por isto’, aí vem outra e diz ‘eu também passei por isto’. Você apaga este negócio de parecer fofoca”, explica Maria Helena, da UFSCar. “Tem pessoas que muitas vezes vão e não falam nada. Nós percebemos isso. Um dia, ela fala. Conta do aprendizado dela, do por que ela está ali. É um espaço democrático, só fala quem quiser”.

Para concluir, Denise Carreira lembra que “a comunidade deve funcionar como um agente terapêutico no processo de inserção, evitando a alienação da própria cultura, a perda da identidade, ajudando os indivíduos a se sentirem membros efetivos da comunidade”.

Serviço:

Entre os dias 9 e 12 de setembro ocorre em Beberibe (CE) o V Congresso Brasileiro de Terapia Comunitária, simultaneamente ao II Encontro Internacional de Terapia Comunitária e ao I Encontro de Pesquisa em Terapia Comunitária.

Mais informações no site da Associação Brasileira de Terapia Comunitária (Abratecom): www.abratecom.org.br.



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