Saem o hambúrguer, a batata frita, o refrigerante e os salgadinhos. Entram o sanduíche com pão integral, sucos e frutas. Cada vez mais, as escolas brasileiras se preocupam com a qualidade da merenda consumida nos intervalos das aulas. O número crescente de pequenos obesos leva as instituições a riscar o chamado "junk food" (alimentos com baixo teor nutritivo e ricos em gordura, sal e açúcar) dos cardápios escolares.
Em busca dessa alimentação saudável, em São Paulo, alguns colégios particulares alteraram o menu das lanchonetes terceirizadas. O Colégio Objetivo, por exemplo, pede aos cantineiros que evitem a venda de frituras, refrigerantes e doces. "Nenhum desses alimentos é proibido, mas ficam escondidos, longe da visão dos alunos", disse a coordenadora geral do ensino fundamental, professora Sônia de Deus Rodrigues Bercito.
Em parceria com o curso de nutrição da Unip (Universidade Paulista), o Objetivo orienta também os alunos. "Se esse esforço for feito sem uma educação nutricional, corre-se o risco de não ter efeito", disse Sônia. Ela conta que tem observado a preferência dos alunos por sucos naturais, saladas de frutas ou a própria fruta "in natura", que também é vendida na cantina.
Na Escola Carlitos, na zona Oeste de São Paulo, frituras e guloseimas foram banidas do recreio dos estudantes. "Vendemos apenas sucos naturais, salgados assados e lanches preparados com insumos naturais", conta Adriana Martins de Lima, nutricionista responsável pela educação alimentar da instituição. O preparo dos sanduíches é à base de queijo branco, peito de peru, palmito, atum e vegetais.
Para incentivar o consumo de frutas, a escola deixa uma fruteira no pátio durante todo o período de aula. "Eles podem pegar a fruta em qualquer horário. Tem maçã, pêra, banana, melancia, uva e outras frutas que são de fácil manuseio".
Cardápios são diferentes para escolas com auto-gestão de merenda ou terceirizados
Outros colégios particulares da capital paulista, como Santa Cruz e Dante Alighieri, contrataram empresas especializadas em alimentação. Eduardo Tambor Junior, diretor do Bandeirantes, diz que existe uma preocupação com a qualidade da alimentação de seus alunos, mas a responsabilidade está nas mãos do grupo GRSA, que cuida ainda de outras 35 escolas particulares de São Paulo.
O gerente de marketing da GRSA, Augusto Vianna, garante que, mesmo com a venda irrestrita de refrigerantes e doces, há um apelo para implementação de uma lista de alimentos menos calóricos e gordurosos.
"Colocamos frutas e sanduíches naturais sempre na boca do gol", brinca, referindo-se à exposição dos itens nas cantinas. "Os alunos têm preferido sucos à refrigerantes. A aceitação é muito boa porque os pais também fazem esse trabalho de conscientização em casa", conta.
Para algumas unidades escolares, a empresa trabalha com o "kit-lanche". Trata-se de um cardápio mensal repassado aos pais para que eles escolham o que o filho vai comer.
"São opções de refeições e lanches balanceados, elaborados a partir das necessidades nutricionais de cada aluno, de acordo com a faixa etária, rotina escolar, hábitos alimentares e até pedidos especiais".
Na rede estadual de ensino de São Paulo, segundo assessoria de imprensa da Secretaria de Educação, não há cantinas nas escolas e as crianças alimentam-se com a merenda, cujo cardápio é repassado pelo Pnae (Programa Nacional de Alimentação Escolar), do MEC (Ministério da Educação).
A prefeitura de São Paulo começou a ofecer, em setembro de 2007, pela Internet, a relação de merenda oferecida nas escolas municipais.
São duas modalidades de cardápios: uma para as escolas que têm auto-gestão de merenda e outra para as escolas que têm serviços terceirizados. A intenção é que os pais dos alunos que freqüentam a rede pública de ensino opinem sobre a alimentação oferecida.
A exemplo do que ocorre nas instituições particulares, que usam a retrição como método, aumentam também as iniciativas no âmbito governamental. Santa Catarina é o Estado mais adiantado na guerra contra a "junk food". Desde 2001, as escolas públicas de ensino básico são proibidas por lei de vender salgadinhos e refrigerantes. Em São Paulo, projeto de lei semelhante aguarda votação na Assembléia.
Segundo informações da Agência Brasil, leis municipais já proibiram guloseimas nas merendas escolares também nos Estados do Rio de Janeiro e Pernambuco, além do Distrito Federal.
(UOL)





























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