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Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa tem pontos obscuros
O Acordo Ortográfico da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que visa padronizar a escrita utilizada pelos oito países membros, tem muitos pontos obscuros que devem ser melhor discutidos. Essa foi a tônica do debate “Língua Portuguesa, Língua Brasileira”, que ocorreu nesta sexta-feira (15/8), durante a 20ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. O evento acontece entre os dias 14 e 24 de agosto, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, na capital paulista. O Acordo já foi ratificado por Portugal, Brasil, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde. Faltam Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor Leste. Segundo o gramático, membro da Academia das Ciências de Lisboa e doutor pela Universidade de Coimbra, Evanildo Bechara, o pacote das novas regras é uma continuação de uma série de mudanças que há tempos ocorre na Língua Portuguesa. O gramático lembrou, por exemplo, que a discussão sobre o emprego do hífen acontece desde 1911, ano da 1ª Reforma Oficial da Ortografia Portuguesa, mas que até hoje ninguém entende as regras. “O termo et cetera (etc.), por exemplo, tem uma definição um pouco estranha. Agora, teremos que aplicá-lo para expressar exceções e não mais como exemplo de uma regra”, explicou outro caso. Para a escritora e professora da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), Maria Helena de Moura Neves, as novas regras ortográficas ainda são contraditórias e muitos preceitos ainda não estão bem definidos. “Eu acho uma vergonha aquele texto”, desabafou. Mesmo diante dos problemas, o professor titular da Universidade de São Paulo (USP), Ataliba Castilho, apontou que a reforma possibilitará a unificação na escrita utilizada pelos países membros da comunidade. Além disso, Bechara colocou que apesar das mudanças, as novas regras pouco afetarão a comunicação dos brasileiros. Algumas novas regras No Brasil, segundo o Ministério da Educação (MEC), o acordo ortográfico será adotado no máximo em 2012. Entre as mudanças, o trema, que já foi suprimido na escrita dos portugueses, desaparece de vez também no Brasil. Palavras como "lingüiça" e "tranqüilo" passarão a ser grafadas sem o sinal gráfico sobre a letra. Também seguindo o exemplo de Portugal, paroxítonas com ditongos abertos "ei" e "oi" - como "idéia", "heróico" e "assembléia"- deixam de levar o acento agudo. O mesmo ocorre com o "i" e o "u" precedidos de ditongos abertos, como em "feiúra". Também deixa de existir o acento circunflexo em paroxítonas com duplos "e" ou "o", em formas verbais como "vôo", "dêem" e "vêem". Com o acordo, o alfabeto passa a ter 26 letras, com a inclusão de "k", "y" e "w". A utilização dessas letras permanece restrita a palavras de origem estrangeira e seus derivados. Calcula-se que hoje mais de 200 milhões de pessoas falam Português em todo o mundo. Estima-se que até 2025 ela será a 7ª língua mais falada no mundo. Segundo Castilho, o futuro da língua Portuguesa depende das ações políticas que os membros da CPLP tomarem. O acordo completo pode ser acessado no site da CPLP. leia também
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