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Entidade trabalha impacto psicológico do racismo

Estudar e ajudar pessoas negras que sofrem impactos psicológicos resultantes de atitudes racistas, bem como conscientizar outras, evitando que tais ações ocorram. Este é o objetivo do Instituto AMMA Psique e Negritude que trabalha, desde 1995, para alterar o que foi constatado pela fundação Perseu Abramo em uma pesquisa realizada em 2003: dos cinco mil entrevistados, 50% apresentou um nível de preconceito leve contra pessoas da cor negra e 25% indicaram uma condição média dessa discriminação.

"A exposição histórica às condições servis criam problemas de identidade em algumas pessoas. Ao enfrentar um caso de violência racista muitas acabam se rebaixando. É necessário resgatar a auto-estima dessas pessoas", explica Jussara Dias, diretora do instituto. Para tentar multiplicar os participantes que trabalham com tais questões étnicas a partir de um olhar preocupado com o emocional e o psicológico, o instituto está promovendo uma série de palestras que discutem o impacto psicológicos do racismo.

Temas como a importância da família, educação e auto-estima são tratados por psicólogos, antropólogos, educadores e militantes do movimento negro. Para aprofundar os assuntos tratados durante os eventos e conseguir aumentar o número de pessoas preparadas para colaborar com outras que tenham sofrido com racismo, grupos de trabalhos são formados. "Trabalhamos com grupos pequenos, com cerca de 20 pessoas. Mas sempre aparecem mais interessados e formamos novos grupos", diz.

Trabalhos como este vêem colaborando para promover pequenos avanços em relação à diminuição da desigualdade racial no Brasil. Segundo Dias, defesas legais já possibilitam certa segurança à população negra. "Racionalmente é possível enxergar alguns avanços. Mas se pensarmos no inconsciente, idéias preconceituosas ainda estão incorporadas na sociedade. Isso produz um sentimento de rebaixamento. A partir daí, essa marca vai afetar toda a vida dessas pessoas", completa.

Se coletivamente, idéias preconceituosas ainda não foram desconstruídas, no âmbito individual a história de cada um é que acaba constituindo a maneira como se encara o racismo. "Caso um negro sofra com um ato de racismo, ele, individualmente, elaborará a reação baseada nas suas próprias experiências", diz. "Uma criança negra enfrenta diversos momentos de preconceito. Caso a família e a escola estejam preparadas para ajudá-la, reforçando nela o valor do negro e explicando a origem da situação, tal criança crescerá preparada para enfrentar essas situações", exemplifica.

Em muitos dos casos descritos por Dias, é possível encontrar famílias com problemas econômicos que afetam sua estrutura, o que dificulta uma ação afirmativa contra o racismo. "Esse também é um problema histórico, que deve ser combatido. Mas as feridas causadas pelo preconceito não são menores em famílias de classes mais ricas. Muitas delas não conseguem lidar com o problema e também precisam de ajuda", revela Dias.

Intervenções governamentais que tentam amenizar a desigualdade econômica e social envolvendo as diferentes etnias, são formas possíveis de corrigir todos esses problemas históricos, segundo Dias. "O estabelecimento das cotas para as universidades públicas, por exemplo, é necessária, tendo em vista a própria defasagem de acesso à educação da população negra", acredita.