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Consumo Consciente
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13 de Novembro de 2008
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Seres humanos não são máquinas de fazer dinheiro
“Os seres humanos não são máquinas de fazer dinheiro”. A declaração é do vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 2006, o economista e fundador do Grameen Bank (em português, Banco do Vilarejo), Muhammad Yunus, que participou nesta semana da Expomanagement, evento que reúne cerca de 4 mil executivos na cidade de São Paulo (SP).
Para o economista, na busca pela maximização dos lucros e maior produtividade, a economia trabalha a partir de uma visão restrita sobre os seres humanos, que só leva em conta o lado egoísta. Um erro segundo Yunus. “As pessoas são seres multifacetados, que têm um lado egoísta e outro altruísta. A pobreza é resultado dessa busca incessante pelo lucro, do sistema, das instituições e políticas que foram construídas para tal objetivo”, disse.
O economista de Bangladesh ganhou notoriedade pela criação do Grameen Bank, que disponibiliza microcrédito para as pessoas pobres do país asiático, que ocupa o lugar 140 no ranking de desenvolvimento humano da ONU. Inaugurado em 1983, o banco realiza empréstimos de US$ 30 a 200 sem exigir garantias ou fiador. “Quase 100% dos empréstimos são pagos. Hoje, com a crise mundial, observamos que são os ricos que não pagam”, ironizou o banqueiro dos pobres, como é conhecido, sobre a crise que afeta os mercados.
A idéia da criação do Grammen Bank nasceu na década de 1970, quando Yunus conheceu 42 pessoas que deviam juntas US$ 27 para agiotas que atuavam em Bangladesh. Yunus, na época professor universitário, foi atrás dos bancos comerciais do país. Mas sem as garantias exigidas, os empréstimos foram negados. Os bancos só concordaram quando o próprio Yunus se colocou como fiador.
Hoje, o banco dos pobres tem 7,5 milhões de tomadores de empréstimos e, em 2007, disponibilizou US$ 1 bilhão.
As taxas de juros cobradas pelo Grammen são padronizadas. Mendigos podem tomar empréstimos sem a cobrança de juros. A linha de crédito estudantil não cobra juros durante a realização do curso. Depois de concluído, a taxa é de 5% ao ano. A linha habitacional apresenta juros de 8% e outros empréstimos giram em torno de 20% ao ano.
Uma das únicas exigências feitas pelo banco para os tomadores de empréstimo é que seus filhos estejam na escola. O acompanhamento é feito por um dos 28 mil funcionários da instituição, das 2 mil agências. Nesse processo, caso algum jovem apresente um desempenho muito bom, o banco oferece uma bolsa de estudo para que ele continue os estudos e ingresse no ensino superior.
Yunus dirige o banco em conjunto com seus antigos alunos da universidade, mas ele não é o dono da instituição. Os tomadores de empréstimos, 98% mulheres, são como acionistas e elegem conselheiros entre si.
A instituição deu tão certo que pessoas de outros países passaram a procurar Yunus para auxiliar a implementação de bancos de microcrédito em suas regiões. Turquia, Guatemala, México, Costa Rica e até os Estados Unidos já têm as suas unidades do banco dos pobres. A instituição norte-americana foi implementada na cidade de Nova Iorque e realiza empréstimos em torno de US$ 2 a 3 mil. “A cidade é o centro da economia mundial, mas não trabalha para os pobres. Com a possibilidade desses empréstimos, as pessoas conseguem abrir salões de beleza, creches, empresas de limpeza de carros”, disse.
Além do microcrédito, Yunus disse que uma das saídas para a crise econômica e para a redução da pobreza é a chamda empresa social. “Doar não adianta, pois o dinheiro não volta. No negócio social o valor é reciclado e pode resolver o problema várias vezes”, explicou.
Para esclarecer, o economista apresentou a empresa social que montou por meio de uma parceria do Grameen Bank com a companhia francesa de alimentos Danone. A indústria produz iogurtes com os nutrientes complementares (ferro, zinco etc.) para sanar a subnutrição que atinge as crianças de Bangladesh. Para que a criança supere suas carências nutricionais, é necessário tomar apenas dois potes por semana durante dez meses. “O preço do produto é muito baixo, pois não são feitas grandes campanhas publicitárias e as embalagens não são aqueles pequenos potinhos. Assim, o custo do produto é recuperado e a empresa pode continuar trabalhando para ajudar as crianças”, concluiu.
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A seção Consumo Consciente apresenta dados e fatos que refletem a realidade brasileira e mundial sobre os modos de consumo que contribuem ou prejudicam a sustentabilidade do globo.
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