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07 de Agosto de 2009
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Jovens de regiões vulneráveis de SP não são protagonistas em ações de redução de violência
Os jovens de regiões vulneráveis da cidade de São Paulo (SP) ainda não são protagonistas em ações de redução de violência. A constatação é da tese de doutorado “Juventude, Violência e Ação Coletiva”, defendida na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP) pela psicóloga Fátima Madalena de Campos Lico. O estudo foi realizado nos bairros do Jardim Ângela e Grajaú, ambos na zona sul da capital paulista.
A pesquisadora entrevistou 540 pessoas de 10 a 19 anos - 463 nas escolas da região e 77 fora das instituições de ensino. Para concluir o estudo, a psicóloga também conversou com coordenadores pedagógicos, pais, lideranças locais e profissionais de saúde.
De acordo com Fátima, o objetivo foi analisar e comparar os processos que orientam as ações coletivas e as experiências participativas de promoção de saúde dos jovens realizadas pelas organizações governamentais e não-governamentais para o enfrentamento e resistência à violência, visando construir uma cultura de paz e implementar políticas públicas no local.
Segundo os dados coletados, a maioria (93,7%) dos jovens não participa das ações e projetos desenvolvidos nas regiões. Uma pequena parcela citou a existência de grupos nas comunidades – 6,3% relataram, por exemplo, grupos de capoeira e teatro no Grajaú.
“Esses jovens vivem em áreas de grande vulnerabilidade. As ações, apesar de serem focadas nos jovens, não os alcançam. Aqueles que não estudam, ficam em casa ou na rua. Frequentam lan houses, empinam pipa, namoram, encontram amigos, ouvem música. Os que frequentam as escolas, participam de atividades através dos grêmios, mas ainda falta articulação”, aponta a pesquisadora. “Muitos também participam de grupos de preces e de mutirões promovidos pelas Igrejas, mas são ações muito pontuais e fragmentadas”, completa.
Segundo o estudo, os entrevistados entendem que ser jovem significa aproveitar a vida, se divertir e se preparar para o futuro, uma fase de transição para a vida adulta. Em relação às regiões onde vivem, os jovens gostam dos locais e consideram o bairro tranquilo em relação à violência.
“As políticas públicas e ações coletivas destinadas à juventude são fragmentadas e desarticuladas nos dois locais. No Grajaú, o trabalho é articulado principalmente pelas ONGs em parceria com o poder público. Já no Jardim Ângela existe uma rede de entidades lideradas por organizações religiosas ligadas a Igreja Católica. Porém, a rede de proteção ao jovem ainda é difusa, as escolas têm papel preponderante e as entidades têm vocação mais para a prática assistencial. Não retiram os jovens das ruas e da ociosidade. Não existe uma rede de fato. Falta comunicação. Algumas entidades e organizações se concentram, mas a maioria realiza seu trabalho isoladamente e as ações tendem a satisfazer as necessidades básicas”, detalha a pesquisadora.
De 1996 a 2007, 9.416 pessoas de 10 a 19 anos foram assassinadas na cidade de São Paulo. Nesse período, a capital paulista apresentou uma tendência de queda, seguida pelas regiões pesquisadas. No Grajaú, por exemplo, 571 jovens da faixa etária pesquisada foram vítimas de homicídio. De acordo com Fátima, mesmo com a queda, os índices ainda são muito elevados.
“No Jardim Ângela existem fóruns mais integrados, há uma rede mais construída. Já, no Grajaú a rede é mais fragmentada, formada por entidades pequenas, menos articuladas, pois o trabalho no Grajaú é mais recente”, conclui.
Para acessar a pesquisa completa, clique aqui.