Portal Aprendiz - Vale a pena um novo olhar

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Educador Aprendiz

25 de Outubro de 2006

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Vale a pena um novo olhar

Piatã Stockols *

Colocaram um papel no pára-brisas do meu carro. Não era uma propaganda qualquer, era uma carta do PCC. De início senti um calafrio. O conteúdo dizia respeito à maneira como a mídia abordou os acontecimentos envolvendo os chefes da facção, quando a cidade e o estado de São Paulo sofreram ataques, como a queima de vários ônibus, trazendo caos para o transporte público, destruindo agências bancárias, tirando a vida de policiais e espalhando medo para a população como um todo. O folheto procurava dar exemplos sobre o cotidiano absurdo, não só dos presidiários, mas também de seus familiares e advogados que vão visita-los. Terminavam dizendo: "Violência gera violência." No intuito de esclarecer o porquê de suas ações, avisando que se o Governo não prestar atenção nessas questões, os ataques voltarão.

Não tenho dúvidas de que a opressão carcerária é um dos problemas mais graves do nosso país, também não tenho dúvidas que a ninguém interessa viver uma vida violenta e que esse jamais será o melhor meio para se encontrar a paz. Também não me restam dúvidas de que é urgente um olhar mais atento para o que acontece nas prisões. E me espanta como, diante dos acontecimentos de meados do ano, ninguém na mídia fala sobre esse assunto. A solução é sempre mais opressão, mais segurança, mas parece que ninguém tem ouvidos e ninguém procura entender a razão desse medo com que hoje a população de São Paulo vive frequentemente.

Será que continuaremos sem olhar para tudo isso, esperando que a situação piore até não poder mais? Realmente espero uma maior atenção sobre essa questão por parte dos jornalistas, apesar da realidade estampada nos olhos e na pele da população, eles ainda formam a opinião dos seus leitores.

Talvez outra coisa que poderia ajudar a resolver a situação seria que, cada um nós, pudesse observar mais atentamente as ações, de boa qualidade, de projetos sociais e educativos que existem em São Paulo (digo de qualidade porque sei que ainda existem muitos que são "para inglês ver"). Eles apontam para diferentes modos de olhar para aqueles que a elite caracteriza como excluídos. Costuma ser um olhar em que o educador observa o outro, o diferente e, assim, tenta encontrar formas de dialogar com esse outro. Sem esse olhar, os acontecimentos urbanos, por mais escancarados que sejam (vide os ataques em São Paulo), dificilmente poderão ser entendidos.

O Aprendiz tenta conseguir uma aproximação com esse outro. O que aprendemos é que, se não nos dispusermos para o novo, nenhuma alternativa ao que aí está poderá ser criada.

Para quem se interessa realmente em resolver esses problemas urbanos, tão graves, vale uma sugestão: vá conhecer um desses projetos, executado por pessoas que estão há um bom tempo tentando encontrar diálogo com esses ditos excluídos, em busca de uma sociedade mais pacífica e justa.



* Piatã Stocklos é produtor cultural e atua na área de intervenção urbana na Cidade Escola Aprendiz.

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Neste espaço os educadores da Cidade Escola Aprendiz escrevem sobre assuntos relacionados ao dia-a-dia da instituiçao.

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