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13 de Maio de 2009

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Jornalismo cultural precisa ser menos complacente

Vivian Lobato

Condescendência, troca de favores, privilégios e hostilização pública. Esses são alguns dos problemas que afetam o jornalismo cultural segundo profissionais e críticos da área presentes no I Congresso de Jornalismo Cultural, que aconteceu na última semana, em São Paulo (SP).

Para o crítico de artes plásticas da Folha de S.Paulo, Fábio Cypriano, o jornalismo cultural ainda é tratado como se fosse apenas um espaço de entretenimento. “A cultura é tratada como uma nuvem do bem, os jornalistas são muito complacentes com os artistas”, ressaltou.

De acordo com o escritor e editor da revista Cultura Brasileira Contemporânea, Francisco Bosco, o grande problema do jornalismo cultural é a prática da cordialidade. “A cultura é mediada pela cordialidade, favores e troca de interesses”.

Bosco também lembrou a presença do sensacionalismo intelectual na cobertura jornalística da área. “Muitos críticos utilizam a hostilidade, até mesmo na vida pessoal, como arma para atacar alguns artistas, produções e pessoas públicas”.

Do lado dos artistas, o roteirista de Cidade de Deus, Bráulio Mantovani, acha que a relação entre artista e crítica é muito bipolar. “Existe amizade, e o artista está sempre em um lugar fragilizado, pois está sendo analisado. É uma relação difícil, mas para se fazer trabalhos criativos é necessário ler muitos trabalhos críticos”, completou.

A editora e crítica de cinema da revista Veja Isabela Boscov comentou que no meio cultural você acaba ficando amigo de algumas pessoas, e que na hora da crítica os amigos esperam uma boa aceitação. “Eu já sacrifiquei algumas relações, mas existem muitos conflitos de interesse e se necessário sacrifica-se na redação, pois a crítica nacional é muito condescendente”, destacou.

Já o reporte especial de cultura do jornal O Estado de São Paulo, Luiz Zanin, discordou. “Não existe mais essa tendência na imprensa, e sim casos isolados”. O jornalista explicou que nos anos 80 e 90 a imprensa era muito condescendente das produções cinematográficas, pois existia a Embrafilme – estatal brasileira produtora e distribuidora de filmes – e logo depois de sua extinção, as produções brasileiras ficaram muito fragilizadas.

“Nos anos 90, praticamente sumiram as produções brasileiras. Com a retomada do cinema, dada as leis de incentivo para a produção audiovisual, os críticos, visto a situação frágil das produções, protegeram os artistas. Mas, com o desenvolvimento do cinema brasileiro, atualmente, essa situação de passar a mão na cabeça não existe mais”, completou.




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