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Fazendo a Diferença

16 de Maio de 2005

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Escola torna-se modelo em educação inclusiva

Rodrigo Zavala

Se a imagem da escola pública é um prédio em mau estado, um corpo docente cansado e estudantes sem aulas, uma visita à Escola Estadual Alfredo Paulino, na zona oeste de São Paulo, pode mudar essa impressão. Mais do que isso, mostra que o esforço de um diretor pode transformar uma instituição sem infra-estrutura em um exemplo de ensino inclusivo e inovador.

A escola atende 400 alunos dos primeiros anos do ensino fundamental, sendo que 99 são deficientes físicos ou mentais. Trabalhando em um processo interativo, une essas crianças em projetos de leitura, brinquedoteca, marcenaria, paisagismo, informática, estética, artes plásticas e horta. Além disso, desenvolve programas de amparo às mães, que ajudam como podem na infra-estrutura escolar.

Quando foi transferido para a escola, em 1997, Paulo de Tarso Semeghini, no entanto, encontrou um prédio em estado dramático. Sem diretor efetivo, os professores gerenciavam de maneira caótica um verdadeiro depósito de crianças. A área de mil metros quadrados de jardins com árvores frutíferas, para dar um exemplo, havia virado um matagal denso, colocando crianças em risco.

Formado em Filosofia, Letras e Direito, com um mestrado realizado na França, o novo diretor sabia exatamente que deveria estimular uma verdadeira revolução para reverter esse quadro. "Começamos com uma mudança no quadro docente. Apresentei minhas propostas para os professores e aconselhei os mais resistentes a pedirem transferência para outras escolas", lembra Semeghini

A partir de então, o diretor começou uma gradual abertura da escola, não apenas para conseguir parceiros, mas para trazer estudantes com as mais variadas deficiências. "O Estado não atende todas as necessidades, por isso é importante entrar em contato com entidades, empresas, mães e comunidade para realizar projetos consistentes", acredita.

A equação segue uma lógica realista. Com um quadro de educadores rotativo, como é o caso do sistema de ensino público, em que a escola não tem controle das transferências de professores, nada mais lógico que manter contato permanente com outros atores sociais. "Os diretores não têm a chance de montar sua própria equipe e contam muitas vezes com a sorte", argumenta Rosângela Yarshell, coordenadora pedagógica do E.E. Alfredo Paulino, lembrando que apenas 40% do quadro é efetivo.

Quando chegam, geralmente despreparados, os novos educadores devem ser capacitados para trabalhar dentro de um contexto inclusivo. "Encontramos professores cansados ou então outros que estão apenas no magistério porque não têm mais nada para fazer. Nossos professores acabam ajudando-os para conseguirem dar aulas", afirma a coordenadora.

Além do reconhecimento interno que as mudanças trouxeram, mães de outras regiões começaram a levar seus filhos com deficiência para serem matriculados. Algumas delas das classes média e alta da cidade, que não encontram o mesmo trabalho do Alfredo Paulino em instituições particulares. "Recebemos a todos, desde que a mãe se comprometa a ajudar a escola. Não pedimos dinheiro, mas dedicação ao espaço", explica Semeghini.

Com esse comprometimento, o diretor assegurou o funcionamento das oficinas paralelas às aulas, que ensinam para todas as crianças, principalmente às disléxicas, as disciplinas de forma prazerosa. Nas aulas de marcenaria, os alunos aprendem matemática, português, ciências de forma lúdica e fácil. Mesmo no refeitório o aprendizado continua, quando as sobras vão para reciclagem e os restos orgânicos viram adubo para a horta escolar cuidada pelos alunos.

Impressiona à primeira vista também as telas penduradas pelos corredores, provenientes das aulas de artes ministradas voluntariamente pela psicóloga Maria Cícera Sellge. Inspiradas em Monet e Portinari, Mondriand, entre outros artistas celebrados, as obras são realizadas por estudantes com deficiência mental e auditiva. "Cada um faz uma releitura do que vê. Não é fácil trabalhar, mas eles devem perceber que são capazes. Além disso, outros professores trabalham com esses temas em suas aulas", afirma a educadora.

Há dois anos, a psicóloga foi convidada a trabalhar na escola pelo diretor, logo que descobriu o que alguns de seus alunos faziam depois da escola. "E abri a galeria no bairro e as crianças foram se aproximando curiosas e querendo pintar. Abri o espaço para elas se expressarem", lembra. Sem professores e vendo que Maria Cícera havia conquistado respeito e admiração das crianças, foi natural o pedido de Semeghini.



O Fazendo a Diferença divulga ações e programas que buscam, de maneira criativa, solucionar problemas locais. Além de divulgar as iniciativas, a ideia é apresentar exemplos que possam ser disseminados em todo o país.

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