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Ensino Superior
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30 de Outubro de 2009
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Coordenadores da Universidade Aberta se reúnem para discutir EAD
A educação a distância abre as portas do ensino superior para milhares de brasileiros que moram longe dos grandes centros urbanos. No entanto, o sistema sofre com a falta de profissionais qualificados e a escassez de recursos. Esse foi o consenso entre os 27 coordenadores dos pólos da Universidade Aberta do Brasil na UnB (UAB). Eles são responsáveis por 6 mil alunos em todo o Brasil. O debate aconteceu durante o III Encontro de Formação Continuada de Coordenadores da UAB, que vai até esta sexta-feira, dia 30 de outubro.
O índice de evasão nos primeiros semestres dos cursos chega a 30%. Isso preocupa Wilsa Ramos, coordenadora geral do projeto na UnB. “Os alunos acreditam que o curso será mais fácil por ser a distância, mas esquecem que devem dedicar 20h semanais para o estudo”, explicou. A licenciatura de Música, por exemplo, contava com 168 calouros no início do ano, mas cinco já desistiram. Para a coordenadora do curso, Flávia Narita, os alunos devem criar uma identidade. “Eles praticam em casa e o tutor fica sem condições de avaliar a autoria de suas composições. O acompanhamento presencial é feito apenas três horas por semana”, afirmou Flávia.
A criação de rotinas para controlar e registrar as atividades de estudo é fundamental. “O acompanhamento norteia todo o trabalho. O tutor precisa planejar as orientações para colher melhores resultados”, aconselhou Carmenísia Jacobina, professora da Faculdade de Educação. É o caso do estudante de música Marlon Charles, 37 anos, que mora no município de Cruzeiro do Sul, no Acre . Formado em Letras pela Universidade Federal do Acre, ele garante que lê e pesquisa mais horas no curso da UAB. E ainda tem que procurar pelos colegas. “Como só tem violão e teclado no pólo, minha turma se reúne para gravar os vídeos que mandamos aos professores. Além da troca de ideias, o encontro serve para estimular o trabalho”, contou.
A educação a distância tem seus desafios. Uma vez por semana, o tutor de Educação Física viaja 70 quilômetros para acompanhar 40 alunos no município de Piritiba, na Bahia. “O certo seria contratar mais uma pessoa para ajudá-lo, mas simplesmente não existe ninguém nas proximidades apto a fazer o trabalho”, afirmou Sérgio Gasques, coordenador do pólo da Bahia. Se houvesse o curso de Física, Sérgio seria o único professor formado da região.
Na UnB, os vestibulares para a UAB acontecem a cada dois anos de maneira simplificada. Os candidatos realizam as provas em apenas um dia nos pólos de sua cidade. Desde 2007, existem seis mil universitários distribuídos entre oito cursos de licenciatura, dois de especialização e dois de extensão. 80% dos alunos têm entre 18 e 35 anos e são professores da rede pública, com salários de R$ 1.200 a R$ 1.500, buscando aperfeiçoamento profissional.
Para Wilsa Ramos, o aspecto mais importante da UAB é ofertar cursos de qualidade em municípios com poucas oportunidades. “É uma chance de melhorar a educação básica. Mas as pessoas esquecem que os gestores da plataforma virtual são reais. Precisamos melhorar a estrutura física e consolidar o corpo docente para oferecer mais qualidade”, afirmou Wilsa.
(Agência UnB)
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