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Site com dados sobre infância e adolescência busca monitorar políticas públicas

Reunir dados, índices, relatórios e análises sobre as condições de vida das crianças e adolescentes brasileiros com o objetivo de monitorar as políticas públicas voltadas para esses públicos.

Este é, em linhas gerais, o site Observatório da Criança e do Adolescente, no ar desde o início de abril. Criada pela Fundação Abrinq, em parceria com a Fundação Ford, a página disponibiliza diversas informações que acompanham o atendimento público e as ações sociais em favor da criança e do adolescente.

“Iniciamos a construção do site depois de sentir a necessidade de publicar os dados que há anos a fundação vem coletando”, explica a secretária do Conselho de Administração da Fundação Abrinq Maria Inês Bierrenbach. Para ela, disponibilizar informações sobre situação de vida da parcela infanto-juvenil brasileira é importante para que a sociedade acompanhe o que é feito e exija mais do poder público.

Também estão à disposição para consultas os dados referentes ao Programa Prefeito Amigo da Criança. Desde 1996, a Abrinq fiscaliza as ações de prefeitos e avalia seus mandatos. Dividido em três ciclos, de 1996 a 2000, de 2001 a 2004 e de 2005 a 2008, é possível acompanhar o que vem sendo feito pelos governantes em relação aos investimentos nas áreas da saúde, educação e social. Até início de 2008, a fundação registrou as ações de 2.266 mil prefeitos.

“Este site concentra uma série de dados de fontes como a própria Abrinq e de organizações oficiais como o Inep, IBGE e Datasus”, explica o representante do Instituto Polis e consultor do Programa Prefeito Amigo da Criança Jorge Kayano. O site também contém análises de especialistas da Rede de Monitoramento Amiga da Criança, que conta com 39 organizações que atuam na área da infância e adolescência. Todos esses indicadores sociais podem servir como apoio para a produção jornalística nacional.

“É importante ter este olhar crítico sobre as políticas públicas. Temos observado que muitos planos governamentais de interesse infantil são postos em prática, mas acabam se perdendo ao longo do mandato”, explicou Kayano.

“O Brasil é visto como um país que não planeja as suas ações públicas. Vivemos em um lugar que sempre busca o desenvolvimento, mas não que tem o costume de prever as conseqüências e avaliar os resultados. É preciso incentivar a cobrança e fazer os governantes cumprirem seus compromissos, além de estabelecer um diálogo entre a sociedade e os órgãos governamentais. É um desafio”, diz o consultor.

Ele ainda acrescentou que existe uma crítica sobre a negligência da sociedade brasileira em não cobrar resultados de seus governantes. “Eu não acredito nisso. Para mim, isso só acontece quando os governantes apresentarem desde o início do mandato seus indicadores, planos de ação e metas”, diz. Para uma sociedade que visa a democracia plena, é necessário manter o costume de observar suas próprias ações e constantemente criticá-las e avaliá-las, concluiu.