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Congressos e Seminários
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02 de Julho de 2009
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Especialistas debatem problema da mobilidade em SP
Segundo pesquisa realizada pelo Ibope, o paulistano passa 18 dias por ano em congestionamentos. Para debater possíveis soluções para os problemas de mobilidade em São Paulo e desenvolver novas formas de organização na cidade, foi promovido, na Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio), na capital paulista, o seminário Novas Formas de Organização e Mobilidade Urbana.
“Temos de refletir sobre o futuro, superando as formas tradicionais e segmentadas de pensar a metrópole”, ressaltou o presidente do Conselho de Desenvolvimento das Cidades, Josef Barat.
Para o arquiteto e urbanista Claudio Oliveira da Silva, da Secretaria Nacional de Transportes e Mobilidade do Ministério das Cidades, o grande problema está na subutilização da infraestrutura do trânsito. “A ênfase é sempre no modelo de circulação, motorizado, individual e dependente. Nos últimos 10 anos, a população cresceu 2% e a frota automotiva 70%. O que gera inacessibilidade a serviços, a localidades distantes, além de acidentes e dinheiro gasto em congestionamentos”.
Ailton Brasiliense Pires, da Associação Nacional de Transportes Públicos (NUT), explicou que o problema da mobilidade é consequência do crescimento desordenado da cidade. “Entre 1900 e 1950 a população de São Paulo passou de 250 mil habitantes para 2,5 milhões”.
De acordo com Pires, em 1992 havia 2,5 milhões de automóveis em circulação, 40 km de congestionamento e 50 mil motos . Em 2008 esses números subiram para 3,5 milhões, 120 km e 500 mil, respectivamente.
“Precisamos ter um plano para a cidade. Também é preciso destacar o problema da Região Metropolitana de São Paulo, pois o deslocamento é muito grande”, apontou Pires.
O engenheiro Plinio Assmann concordou. “As regiões metropolitanas são as ilhas de ineficiência no Brasil, pois o deslocamento para o centro urbano é inevitável. Veja a questão do ônibus fretado, que está em pauta. Não sou contra, mas de fato eles atrapalham o trânsito. Uma solução seria que eles fossem incorporados à rede. Se o ônibus fretado deixar de existir, seus usuários começarão a usar automóveis particulares”.
Otávio Vieira da Cunha Filho, da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), disse que o grande problema é o estímulo ao uso de automóvel. “É preciso priorizar o transporte público de qualidade, confiável e confortável. Um ônibus é igual a 50 veículos com uma pessoa. Infelizmente, faltam políticas federais para o transporte público e subsídios”.
Alternativas
“Uma outra cidade é possível. É preciso um planejamento urbano integrado. Através de diversidade de usos, descentralização de equipamentos públicos, consolidação de subcentros, ocupação dos vazios urbanos e otimização da infraestrutura de transportes”, destacou Silva.
De acordo o diretor de planejamento da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Alberto Epifani,, entre 2002 e 2007 a curva de transporte mudou. “Pela primeira vez o transporte individual caiu e o coletivo subiu. Estamos no caminho”, destacou.
Para Barat, o importante é sempre privilegiar o transporte público. “Precisamos pensar em políticas públicas, soluções técnicas e manter o rodízio de carros”.