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03 de Julho de 2009

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Relatório revela que quase 17 mil espécies de vida estão ameaçadas de extinção

"Pelo menos 16.928 espécies estão ameaçadas de extinção". Isso é o que mostra o relatório "A vida silvestre em um mundo cambiante", realizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). O estudo, publicado a cada quatro anos, mostra que os governos não conseguirão o objetivo de 2010 de reduzir a perda da biodiversidade em nível mundial, regional e nacional.

O estudo analisa 44.838 espécies da Lista Vermelha e divide os resultados em grupos de espécies, regiões geográficas, e tipos de habitat, como marinho, terrestre e de água doce. Segundo o relatório, 869 espécies já estão extintas ou extintas em estado silvestre. A cifra aumenta ainda mais caso se somem as 290 espécies em perigo crítico de extinção classificadas como possivelmente extintas.

De acordo com o estudo, no total, mais de 16.000 espécies estão ameaçadas de extinção. Entretanto, esta cifra é uma subestimação, pois o relatório só analisa 2,7% das 1,8 milhões de espécies descritas. Para Jean-Christophe Vié, diretor adjunto do Programa de Espécies da UICN e redator da publicação, ainda se tem que tomar muitas medidas para reduzir a perda da biodiversidade. "É hora de reconhecer que a natureza é a maior empresa do planeta, que trabalha para o benefício de 100% da humanidade - e o que faz de graça. Os governos deveriam dedicar o mesmo esforço, se não mais, para salvar a natureza que para salvar os setores econômicos e financeiros", sugere.

Segundo o relatório, a vida na Terra está ameaçada em vários habitats. As espécies de água doce, por exemplo, enfrentam uma difícil situação por causa da conectividade dos sistemas do habitat, que permite a contaminação e as espécies invasoras propagarem-se com grande rapidez. Na Europa, 38% dos peixes estão ameaçados e na África Oriental, 28%.

Situação semelhante vive as espécies marinhas, vítimas da pesca, da mudança climática, das espécies invasoras, do desenvolvimento costeiro e da contaminação. De acordo com UICN, pelo menos 17% das 1.045 espécies de tubarão e de raia estão ameaçadas de extinção.

Ademais, o relatório revela que cerca de um terço dos anfíbios, mais de uma a cada oito aves, e aproximadamente uma quarta parte dos mamíferos está ameaçada de extinção. A situação é ainda pior em alguns grupos de plantas. Cerca de 28% das plantas coníferas e de 52% das cicadáceas, segundo o estudo, estão ameaçadas pela destruição dos habitats.

Entretanto, Vié acredita que a vida na Terra não está totalmente perdida. Estima-se que algumas medidas de conservação evitaram a extinção de 16 tipos de aves nos últimos 15 anos. Para o diretor, é possível recuperar espécies ameaçadas com programas de conservação. "Como mostra a crise econômica e financeira, é preciso escutar quem dá voz de alerta. As espécies silvestres requerem mais atenção e nossa sociedade deve empreender grandes mudanças para salvaguardar seu próprio futuro", afirma.

O relatório "A vida silvestre no mundo cambiante" está disponível em http://data.iucn.org/dbtw-wpd/edocs/RL-2009-001.pdf

(Adital)



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