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20 de Agosto de 2008

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Quem fala em aula aprende a escrever melhor

Stefano Azevedo

"A sala de aula é um espaço privilegiado onde o aluno pode aprender a norma padrão da língua. Ali, o professor deve estimular o diálogo e ensinar que dentro da escola é adequado o estilo formal. Quando aprende a falar de modo mais elaborado, o aluno tem muito mais facilidade com a escrita”. Esta foi a idéia defendida pela especialista em educação sociolingüística Onaide Schwartz, professora doutora do departamento de educação da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que ministrou uma palestra sobre o tema na 20ª Bienal do Livro de São Paulo.

Segundo ela, “ajudar o aluno a escrever melhor é uma tarefa difícil para o professor, pois ele precisa cobrar que seus alunos escrevam de uma maneira diferente da que falam. As crianças crescem se comunicando com a linguagem popular e sua maneira de se comunicar não pode ser substituída pela forma culta de escrever sem que haja conflitos. O melhor é antes transformar a fala, ensiná-las a falar a linguagem dos livros”.

Caso isso seja feito, os alunos terão mais facilidade para compreender a leitura, pois estarão acostumados com a forma da linguagem e poderão avançar para a compreensão dos conteúdos. Depois, eles vão escrever com muito menos erros, pois poderão se basear na fala elaborada que aprenderam.

Método Bidialetal

Tal maneira de ensinar está baseada no Método Bidialetal, explicado melhor no livro de Onaide: “Alfabetização: Método Sociolingüístico. Seu objetivo é que dentro da escola a fala popular seja transformada na fala padrão, mas ressalva que essa não deve ser uma substituição. “Não pode dizer que a língua da criança está errada e que você vai ensinar a língua certa”, disse.

Assim, a primeira parte do método é respeitar a linguagem da criança, elogiando, mostrando que é eficiente, boa, comunica, mas que existe um outro modo de se comunicar que também é bom. Em seguida, é preciso mostrar exemplos de discriminação lingüística por meio de exemplos. “Gosto de fazer um exercício em que imito uma pessoa pedindo um emprego com linguagem culta e com linguagem popular. Os alunos sempre chegam à conclusão de que o contratante vai preferir o da fala culta. É uma maneira eficiente de mostrar que a qualidade da apropriação da linguagem gera preconceitos e que é importante para o exercício da cidadania”, sugeriu.

O próximo passo é mostrar que a linguagem é como uma roupa. Assim como existe uma roupa adequada para cada situação, o mesmo vale para o estilo da linguagem, e na escola é apropriado falar a norma padrão. Por isso, é preciso respeitar a maneira como familiares, vizinhos e amigos falam fora da escola, que não é correto ficar corrigindo. Já na sala de aula, é importante que os alunos falem o máximo possível, para praticarem a norma padrão no espaço que é privilegiado para isso.

Finalmente, é preciso apontar a necessidade de aprender a língua padrão, a língua da escola, para saber falar dos dois jeitos. “A linguagem culta é utilizada na televisão. Fico me perguntando por que ela não é assimilada pelas pessoas que assistem. Acho que é por que ninguém mostrou para elas a necessidade de se apropriar da linguagem. O professor deve mostrar esta necessidade e ensiná-la sem tentar substituir o modo antigo, mas sim deixando o aluno livre para conhecer e aprender um modo novo”, concluiu.




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