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Fazendo a Diferença

11 de Setembro de 2008

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Jovens estudam o espaço por meio de telescópios controlados pela Internet

Stefano Azevedo

Depois de meses de preparação, chega o grande momento. Numa bela noite, alunos do Ensino Médio da Escola Estadual Nossa Senhora do Bom Conselho, de Maceió (AL), capturam imagens do espaço, atividade que faz parte do curso de Física. Para isso, utilizam um telescópio robótico localizado na cidade de Natal (RN), a mais de 2 mil km de distância, controlando-o remotamente pela Internet.

A ação não é de outro mundo. Ela acontece numa escola pública nordestina e em outras espalhadas pelo país graças ao programa Telescópios na Escola. Coordenado pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP), o projeto permite o acesso gratuito a seis diferentes observatórios espaciais do Brasil por meio da Internet. Além do telescópio de Natal, o programa utiliza os telescópios localizados nas cidades de Valinhos e São José dos Campos (SP), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ) e Florianópolis (SC).

O professor de Física da escola alagoana, Adriano Aubert, utiliza os telescópios em projetos educativos que duram de seis a oito meses e vão além de uma observação do espaço. O educador conta que os alunos passam primeiro por uma fundamentação, na qual lêem textos para compreender a astronomia e ganham preparo para fazer as imagens telescópicas. Depois, as imagens são analisadas e uma pesquisa científica é desenvolvida sobre elas. “Os alunos têm uma experiência muito mais educativa do que se apenas vissem imagens prontas. O maior aprendizado está nas outras etapas”, diz Aubert.

A atividade pode envolver conteúdos interdisciplinares, de acordo com o tema do projeto. O professor explica: “no projeto de Determinação de Parâmetros Orbitais de Estrelas Duplas, por exemplo, os alunos vão utilizar geometria analítica para calcular a separação das estrelas e a inclinação entre elas. No projeto de Busca de Estrelas Variáveis em Aglomerados Estelares eles vão utilizar outros conhecimentos”.

Além dos conteúdos didáticos, os alunos ainda recebem preparação sobre como escrever um trabalho científico, como organizar uma pesquisa, como apresentar um seminário e utilizar programas de astronomia.

Telescópios para todos

O coordenador do programa Telescópios na Escola e professor do IAG-USP Laerte Sodré Júnior, conta que o objetivo é aproveitar o potencial educativo do interesse que as pessoas têm pela astronomia. “A astronomia é a ciência que tem grande apelo popular. Os estudantes e a população em geral têm fascínio pelo céu e pelas estrelas. Aproveitamos isso para ensinar ciências em geral”.

Instituições de Ensino Fundamental, Médio e Superior podem participar gratuitamente, enviando uma proposta pedagógica adequada com os objetivos do programa e agendando a reserva dos telescópios. Segundo Sodré, escolas de todas as partes do Brasil participam do programa, que graças ao acesso pela Internet fica descentralizado das grandes capitais. “Até no interior do Nordeste há estudantes que acessam os telescópios. Temos muito mais participantes do interior do Brasil do que das grandes cidades”, comemora o coordenador.

Para mais informações sobre o cadastramento da sua escola, visite http://www.telescopiosnaescola.pro.br/



O Fazendo a Diferença divulga ações e programas que buscam, de maneira criativa, solucionar problemas locais. Além de divulgar as iniciativas, a ideia é apresentar exemplos que possam ser disseminados em todo o país.

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