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Fazendo a Diferença

29 de Junho de 2009

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AfroReggae insere ex-presidiários no mercado de trabalho

Talita Mochiute

O projeto Empregabilidade, do Grupo Cultural AfroReggae, em um ano, conseguiu inserir no mercado de trabalho formal mais de 180 egressos do sistema penitenciário. O resultado deve-se a parcerias com cerca de 10 empresas do setor de serviços localizadas na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

A iniciativa faz parte da missão do AfroReggae. Criada em 1993, a instituição tem como principal objetivo desviar jovens do caminho do narcotráfico e do subemprego. A organização está presente em quatro comunidades cariocas – Vigário Geral, Parada de Lucas, Cantagalo e Complexo do Alemão – e em Nova Era, na cidade de Nova Iguaçu, baixada fluminense.  

O projeto Empregabilidade foi idealizado por Norton Guimarães. Condenado a sete anos e seis meses de prisão por assalto à mão armada, cumpriu pena em Bangu III. Em 2006, conseguiu liberdade condicional e começou a trabalhar no AfroReggae. Aos 49 anos, pela primeira vez, teve um registro na carteira profissional. Para ajudar outros ex-detentos e moradores em situação de vulnerabilidade social de comunidades cariocas, criou o projeto.

Hoje, o Empregabilidade também é coordenado por Chinaider Pinheiro. Ele foi líder do tráfico de drogas em seis favelas do Rio de Janeiro, entre elas a de Vigário Geral, onde foi criado o AfroReggae. Em janeiro de 2009, após ficar preso por dez anos e quatro meses por sequestro, começou a trabalhar na ONG no combate à discriminação e na negociação de novas parcerias para o projeto.

“Muitas pessoas pedem por uma oportunidade de trabalho. Mas há uma discriminação enorme quando você diz que é ex-presidiário. Então, criamos parcerias para colocar essas pessoas no mercado de trabalho”, comenta Pinheiro.

Os interessados em participar do projeto devem ir até o AfroReggae para preencher uma ficha cadastral. Essas informações vão para o banco de dados da instituição. Quando surge uma vaga nas empresas, após análise do perfil da ocupação e dos candidatos, ocorre a indicação e o encaminhamento para o preenchimento da oportunidade.
 
“Eu sempre digo aos candidatos: Vou lutar para você entrar no mercado de trabalho. Mas você precisa voltar a estudar e aproveitar essa chance”, conta Pinheiro. O AfroReggae oferece em seus núcleos curso supletivo, mas o candidato tem a liberdade de optar por outra escola ou organização.

Além de inserir ex-presidiários no mercado de trabalho, o projeto também encaminha moradores das comunidades de todas as idades e com baixa escolaridade para os postos de emprego das empresas parceiras. Durante um ano de projeto, foram inseridas mais de 250 pessoas no trabalho formal. Geralmente, as colocações são para cargos com baixa escolaridade e que não exigem experiência anterior.

Os responsáveis pelo projeto também atuam como conselheiros dos novos contratados. Se a empresa tiver algum problema com o funcionário, eles vão até lá para mediar o conflito. “Só tivermos de fazer isso uma vez”, lembra Pinheiro.

Busca de parceiros

Uma das empresas parceiras do AfroReggae é a rede de estacionamentos Estapar. São 88 funcionários indicados pelo Empregabilidade. De acordo com a diretora de Recursos Humanos da rede, Fátima Barroso, não há tratamento diferenciado para quem é contratado por meio do projeto. “Eles recebem treinamento e são integrados à equipe como todos os novos funcionários”.

No entanto, segundo Pinheiro, não é fácil as empresas entenderem a meta do projeto e firmarem parcerias.  “Mas acredito que quando o projeto estiver mais maduro, conseguiremos abrir mais portas”.

A avaliação da Estapar é positiva sobre o projeto. “Tem continuidade devido ao sucesso da parceria. Possibilitamos trabalho e renda, fatores indispensáveis para mudar e transformar a vida dessas pessoas”, explica Fátima.



O Fazendo a Diferença divulga ações e programas que buscam, de maneira criativa, solucionar problemas locais. Além de divulgar as iniciativas, a ideia é apresentar exemplos que possam ser disseminados em todo o país.

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