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15 de Maio de 2008

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Ensino paulista vai mal, mas é preciso olhar além do índice

Vivian Lobato e Alan Meguerditchian

De 0 a 10, o Ensino Médio público paulista tira 1,41. Enquanto isso, o Ensino Fundamental alcança 2,54. Os dados são do Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp), indicador produzido a partir de uma fórmula que leva em conta as notas dos alunos no Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) 2007 - avaliação feita pela Secretaria da Educação - e a taxa de crianças na série adequada para a idade.

No estado, a melhor escola no ensino médio é a Papa Paulo XI, localizada em Santo André (6,2); em segundo lugar, Batista Dolci (5,39), de Dolcenópolis; em terceiro, Corifeu Azevedo Marques (4,8), de Aparecida do Oeste.

Na capital as cinco primeiras escolas de ensino médio são Raul Fonseca, Escola de Aplicação da Universidade de São Paulo, Rui Bloem, Carlos Maximiliano e Alves Cruz. Só é preciso lembrar que nenhuma delas alcançou a média 5.

“O sistema é bastante desigual. Há aspectos internos nas escolas que são muito fáceis de serem melhorados, que não dependem da escolaridade dos pais e da situação socioeconômica, mas sim das escolas, das gestões e da Secretária”, explicou a secretária durante a apresentação dos dados.

Segundo a doutora em Sociologia, especialista em Educação, Helena Singer, as avaliações aplicadas não conseguem indicar a real situação do aprendizado dos estudantes. “Os testes não avaliam a capacidade dos alunos. As avaliações deveriam partir da própria escola, ouvindo os professores, alunos e os pais“.

Além disso, Helena lembra que se o conhecimento fosse medido apenas pelos índices alcançados em provas testes, não conseguiríamos observar pessoas planejando o orçamento familiar, por exemplo. “Sou doutora e fiz a prova. Não consegui responder diversas questões de Matemática”, diz.
 
Metas

O objetivo traçado pelo governo é chegar a 5 em 2030. No ensino fundamental, as metas são mais altas. Hoje, as escolas de 1ª a 4ª série têm Idesp de 3,23 e a meta é 7. Nas de 5ª a 8ª, o índice é 2,54 e a meta, 6, perto do que teriam países como Reino Unido, Finlândia e Coréia.

“São metas bastante factíveis e que vão ajudar a melhorar o projeto pedagógico da escola, permitindo que cada uma faça um trabalho que de conta da diversidade dos alunos. Temos desafios diferentes em cada escola”, explicou a secretária.

“O grande problema da educação atualmente é que ela é vista como uma empresa. Isso esvazia o sentido da escola, onde só se deposita um conhecimento mínimo e as pessoas vão para lá apenas para sacá-lo. Nesse contexto, o que importa é somente as metas e o rendimento. É o que Paulo Freire chamou de Educação Bancária”, contrapõe Helena.

O cálculo da meta até 2030 segue o mesmo padrão do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e das metas do Todos pela Educação, modelo também adotado pela Finlândia e Coréia do Sul. “A França, por exemplo, tem a 22ª melhor educação do mundo. Se a gente atingir um padrão equivalente a esse, o que eu acredito que seja até 2018, chegaremos a um excelente padrão de educação”, disse a secretária.

“Não devemos buscar um modelo externo que aparentemente é bom. Devemos procurar um próprio, baseado na nossa cultura”, diz Helena.

Segundo a secretária, os índices das crianças de 1ª a 4ª são melhores porque esse nível de ensino vem mostrando uma evolução nos últimos anos, além de registrar menos de 10% dos alunos com a idade errada para a série.

Alternativas

Uma das soluções que a Secretaria encontrou para melhorar os índices é a bonificação financeira para escolas e professores que conseguirem melhorar o desempenho dos alunos. “O cálculo ainda está indefinido. As escolas que conseguirem bater as metas receberão uma bonificação. Sempre compararemos a escola com ela mesma. O bônus será proporcional a partir da evolução”, explicou a secretária Maria Helena.

Segundo Helena, a proposta pode ser avaliada da mesma forma que a medição do conhecimento por meio dos índices, que encara a educação como uma empresa.

Para a pesquisadora, a solução é fazer com que os pais e a comunidade atuem mais ativamente na escola, garantindo assim a autonomia da escola, deixando de seguir exatamente as determinações impostas pela Secretaria, como diz a própria Lei de Diretrizes e Bases (LDB).

Mesmo longe do ideal, as escolas Carlos Maximiliano Pereira dos Santos, Antonio Alves Cruz, Fernão Dias Paes e Godofredo Furtado podem ser levantadas como exemplos nos quais a participação da comunidade começa a melhorar a situação do aprendizado. Todas elas, localizadas na zona oeste da capital, nos bairros da Vila Madalena e Pinheiros, tiveram notas acima da média do estado, crescimento que vem se mostrando constante, segundo as últimas avaliações, sendo que as duas primeiras estão entre as cinco melhores de Ensino Médio.

Educação Básica. Formal e não-formal. Ensino público e privado. Avaliações. Políticas Públicas. Este é o universo que a seção Notícias de Educação busca reportar.

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