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Congressos e Seminários
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28 de Abril de 2008
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Cidades transformam locais públicos em espaços educativos
Vivian Lobato e Paula King
Aproveitar espaços públicos urbanos e terrenos desocupados para a produção de plantas medicinais e aromáticas, entre diversos outros produtos agrícolas. É isso o que fazem de 10 mil famílias de baixa renda que trabalham e utilizam cerca de 800 locais públicos na cidade de Rosário, na Argentina. São hortas comunitárias que juntas formam uma rede de produção e comercialização de produtos agrícolas dentro do perímetro urbano.
O trabalho, que acontece desde o início dos anos 1990, é um dos exemplos de ações realizadas pelas 380 cidades participantes da Associação Internacional de Cidades Educadoras (AICE) - reunião mundial de municípios que se comprometeram a transformar locais públicos em espaços educativos para a população, sem excluir faixa etária ou classe social. A iniciativa da Associação foi lançada na Espanha, em 1990, durante o 1º Congresso Internacional de Cidades Educadoras.
Neste ano, a AICE comemora uma década de sucessivos encontros mundiais. O X Congresso Internacional de Cidades Educadoras, que aconteceu entre 24 e 26 de abril, no Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo (SP), mostrou experiências que reafirmam o conceito, valorizam o cidadão e contribuem para uma maior integração entre a cidade e o cidadão.
Bogotá
A capital da Colômbia era uma cidade fortemente marcada pelo crime e conseguiu reverter esse quadro por meio de uma cultura cidadã. “Com a valorização do sujeito, ele se sente mais pertencente ao seu lugar, sua cidade. Não nascemos cidadãos, nos tornamos. E a cidadania manifesta-se diretamente no comportamento”, disse o ex-prefeito de Bogotá e diretor da Corporação Visionários pela Colômbia, Antanas Mockus.
A prefeitura da cidade abraçou a causa do combate a violência e institucionalizou campanhas pela paz de alta visibilidade. Um dos principais pontos da campanha contra a violência foi “A vida é sagrada”, que serviu de ponto de partida para uma reforma da polícia de Bogotá, transformando policiais em “cidadãos formadores de cidadãos”.
Programas pedagógicos, encontros de cidadãos e valorização do espaço público. Essas foram outras medidas tomadas pelo governo para diminuir a criminalidade. Todas as ações conseguiram ampliar o diálogo entre cultura, cidade e cidadania. Com isso, Bogotá diminui a taxa de homicídios de 80 por 100 mil habitantes em 1993, para 23 por 100 mil habitantes em 2003.
Guadalajara
No México, a experiência de cidade educadora garantiu qualidade de vida e oportunidades de crescimento para os cidadãos de Guadalajara. Para isso, o município procurou ampliar a utilização das áreas metropolitanas, construindo uma cidade mais ordenada, com respeito ao verde, para se tornar mais humana e mais atrativa.
Foram realizadas ações de aprendizagem como: “Centro de Educação Popular”, onde se aplica formação e convivência, “Escola para pais”, que oferece orientação para problemas sociais e “Programa desafio de ser jovem”, uma orientação aos jovens com acesso a diferentes pontos de visitação. Além da construção de bibliotecas e formação de jovens solidários.
A “Via Recreativa” foi um dos pontos altos do projeto de cidade educadora de Guadalajara. Todos os domingos, uma via da cidade é fechada, não permitindo a passagem de carros. A “Via” reúne cerca de 120 mil pessoas, colocando a favor dos cidadãos um local de convivência, democracia, igualdade, respeito, inclusão, educação, formação e solidariedade.
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