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Plantar uma árvore é ótimo...
Quando se começou a falar da neutralização do carbono por meio do plantio de árvores, parecia para muitos que o problema do aquecimento global estaria resolvido como em um passe de mágica. Isso definitivamente não é verdade. De fato, plantar árvores minimiza parte do dano, mas só mudanças mais profundas é que realmente vão fazer a diferença. O Brasil ocupa a preocupante quarta colocação entre os países que mais contribuem para o efeito estufa no planeta. As principais atividades responsáveis são as queimadas e o desmatamento. Em seguida vêm os transportes através da queima de combustíveis fósseis. Além, é claro, dos processos industriais que se utilizam largamente de energia proveniente do petróleo. Todos esses fatores são os causadores do, agora famoso, aquecimento global, que tem elevado as temperaturas em todo o planeta. E o grande desafio do Brasil e do mundo é reverter esse processo. Uma das medidas sugeridas é o plantio de árvores, pelo qual é possível neutralizar parte das emissões de gases de efeito estufa geradas pelas ações humanas. Quando uma árvore está em fase de crescimento, pelo processo de fotossíntese ela absorve gás carbônico, presente na atmosfera, para formar seu corpo e assim reduz a concentração desse gás que provoca o efeito estufa. O problema é que as árvores levam muito tempo para absorver o gás carbônico que emitimos em um curto espaço de tempo. As árvores típicas da Mata Atlântica, por exemplo, levam 37 anos para completar seu ciclo de crescimento. Quando se fala em plantar uma árvore típica da Mata Atlântica para absorver certa quantidade de gases de efeito estufa emitida em uma certa atividade, é este o tempo que a emissão de carbono levará para ser absorvida – quase quatro décadas! Uma entidade que realiza projetos de neutralização é a Iniciativa Verde, que concede o selo Carbon Free, para os interessados em compensar a emissão de carbono por meio do plantio de árvores. A organização faz uma pré-estimativa das emissões com base, por exemplo, nos dados dos processos de produção de uma empresa ou nos impactos gerados por um evento. O resultado obtido é convertido em um certo número de mudas de árvores que serão destinadas a áreas degradadas da Mata Atlântica e onde serão cuidadas durante os três primeiros anos. Qualquer consumidor pode fazer uma simulação dos impactos de suas atividades por meio de uma calculadora virtual no site da Iniciativa Verde. A ferramenta faz uma estimativa do seu gasto anual com transporte e energia, por exemplo, e depois converte em toneladas de carbono. Dado este volume de emissão de carbono, a calculadora indica o número de árvores necessárias para neutralizar essa emissão. Mas, é importante ressaltar novamente que a neutralização da emissão do ano considerado pela calculadora se dará em 37 anos. Assim, a emissão se deu em um ano, mas a neutralização levará 37 anos para ocorrer. A SOS Mata Atlântica possui um projeto de plantio de árvores em áreas de matas ciliares denominado “Florestas do Futuro”. Muitas empresas colaboram com esse projeto, com o intuito de neutralizar suas emissões. A certificadora Key Associados faz o levantamento das emissões de dióxido de carbono da empresa solicitante e a SOS Mata Atlântica faz o plantio de árvores. Segundo Adauto Tadeu Basílio, diretor de captação de recursos da organização, “a SOS é única e exclusivamente responsável pelo plantio de árvores”. A ONG ocupa-se das diversas etapas do reflorestamento, que vai da implantação e manutenção do projeto, à escolha das áreas, seleção e aquisição de mudas durante cinco anos*. “Esse é o nosso foco de atuação e nosso interesse. Qual foi o método usado pela certificadora para chegar ao número de árvores proposto à empresa que quis neutralizar as suas emissões, não é nossa preocupação e responsabilidade”, completa Tadeu.
Plantar árvores é sem dúvida muito importante, mas é apenas uma contribuição para a solução do problema de emissão de carbono, ficando muito longe de ser uma solução. Uma árvore pode acumular 190 quilos de CO2 no decorrer de seus 37 anos de crescimento É um longo tempo de espera para compensar uma emissão realizada em um curto espaço de tempo! Além da redução do volume de lixo, a solução passa também pela redução do transporte por veículos que utilizam combustíveis fósseis. Segundo o IPCC (sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, órgão das Nações Unidas responsável pelos estudos relativos ao aquecimento do planeta), uma das medidas-chave para diminuição do problema do aquecimento global está no aperfeiçoamento de veículos para que eles sejam mais eficientes no consumo de energia e mais limpos em relação às emissões de gases do efeito estufa. Por todas essas razões é que a Iniciativa Verde não se restringe a neutralizar a emissão de carbono apenas por meio do plantio de árvores. Ela também orienta as pessoas a diminuirem suas emissões, por meio de uma mudança de comportamento e de formas de consumo. “Nós procuramos orientar os nossos clientes a reduzir a emissão de gases, por exemplo, através da adoção de materiais menos poluentes e até mesmo da eliminação de processos e produtos que agravem o aquecimento global” afirma David Dieguez, diretor da organização. O trabalho já rendeu frutos. A Iniciativa Verde foi contratada para fazer a neutralização de gás carbônico em duas edições do São Paulo Fashion Week, o maior evento de moda do país. De uma edição para outra houve uma redução em 27% nas emissões de gases de efeito estufa. Portanto, deve ser ressaltada a importância fundamental que a mudança nos hábitos do consumidor pode ter para contribuir no combate ao aquecimento global. Como se vê, reduzir a quantidade de lixo produzida, evitar o uso do transporte individual e exercer seu poder de escolha privilegiando empresas que se preocupem com a redução de suas emissões de gases de efeito estufa, são atitudes que só trazem benefícios para todos os habitantes do planeta Terra. (Akatu) |
A seção Consumo Consciente apresenta dados e fatos que refletem a realidade brasileira e mundial sobre os modos de consumo que contribuem ou prejudicam a sustentabilidade do globo. outros destaques |
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