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Fazendo a Diferença

03 de Julho de 2009

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Por meio de articulação, comunidade conquista saneamento básico

Vivian Lobato

Em maio de 2005, uma grande enchente atingiu a Favela da Linha, localizada no bairro da Vila Leopoldina, zona oeste da cidade de São Paulo (SP). Na ocasião, as famílias perderam móveis e tiveram muitas das suas moradias destruídas.

O Instituto Acaia, que atua há 11 anos na região e hoje oferece, entre outras atividades, cursos profissionalizantes e de reforço escolar, iniciou uma articulação junto à Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) para a implantação das redes de água e esgoto. Por ser uma área invadida, a Prefeitura de São Paulo não autorizava a realização das obras, e com o crescimento da especulação imobiliária na área, os moradores corriam risco de serem removidos.

“Para dar suporte legal às obras e, ao mesmo tempo, garantir a permanência da população, movemos uma Ação Civil Pública conjunta com a comunidade com o objetivo de conseguir a declaração de Usucapião coletivo da área por seus moradores”, explica a diretora do Instituto Acaia, Elisa Bracher.

Deu certo. As obras começaram em abril de 2008, mas pela dificuldade na área só foram finalizadas após oito meses. “Exigiu um enorme esforço para escavar toda a estreita viela para a construção das redes de água e esgoto. Parte do local também teve que ser interditado, o que impedia a passagem dos moradores”, diz Elisa.

De acordo com a diretora do Instituto, de início, o projeto de saneamento básico não contou com o apoio de toda a comunidade. “Com trechos da via interrompida, e com a futura cobrança pelos serviços de água, alguns moradores não contribuíram no começo das obras. Passavam pela via interditada e não colaboravam com os funcionários da Sabesp. Mas, conforme foram vendo os resultados, começaram a incentivar”.

Concluídas as redes de água e esgoto, o asfaltamento da viela marcou o encerramento das obras na favela. A obra beneficiou 450 famílias que deixaram de pisar no esgoto a céu aberto, se livraram do mau cheiro nas casas e ganharam ruas asfaltadas.

"Podíamos até ter banho de graça, mas ninguém imagina o que é poder sair de bicicleta por esta viela carregando os dois filhos para levar à escola sem precisar passar pelo meio do esgoto ou com a água pela canela", diz o morador da comunidade, Manoel Messias.



O Fazendo a Diferença divulga ações e programas que buscam, de maneira criativa, solucionar problemas locais. Além de divulgar as iniciativas, a ideia é apresentar exemplos que possam ser disseminados em todo o país.

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