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É difícil diagnosticar distúrbio de aprendizagem

"Casos de distúrbios de aprendizagem são raros. Não confundam com dificuldade escolar. Só uma equipe multidisciplinar envolvendo professores, psicólogos, psiquiatras, fonoaudiólogos e neurologistas, consegue identificar este distúrbio, que envolve problemas neurobiológicos, genéticos, de sistema nervoso e neuropsicológicos", explica a chefe do grupo de distúrbios da aprendizagem da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Sylvia Ciasca.

Os alunos que sofrem distúrbios de aprendizagem normalmente têm dificuldade de soletração, memória, escrita, leitura, matemática e sofrem com uma diminuição do fluxo sanguíneo na região temporal. "Segundo as pesquisas, 72% dos que sofrem com distúrbios de aprendizagem têm histórico familiar do problema. Destes, 76% têm dislexia (transtorno de aprendizagem na área da leitura, escrita e soletração), 15% disgrafia (distúrbio da escrita ligada a problemas perceptivo-motores) e 7,6% discalculia (distúrbio que afeta a habilidade de compreender e manipular números) e a grande maioria, 72%, é de meninos".

Um dos grandes problemas, em sua opinião, é a falta de integração entre educadores e profissionais da saúde. "É tão difícil o profissional da saúde chegar na escola, como a escola chegar no profissional de saúde. A inclusão é um processo doloroso. A escola não está preparada para aceitar e os profissionais da saúde também não estão prontos para receber essa avalanche de crianças que vem da escola", disse ela.

Uma experiência realizada no Hospital das Clinicas de São Paulo pode servir como modelo para solucionar o problema identificado pela neuropsicologa, mesmo que desenvolvida em outro contexto. "O adoecimento e a internação vão além dos aspectos biológicos. Ocorrem inúmeras mudanças que, muitas vezes, atrapalham a volta do jovem para a escola regular", disse a psicóloga responsável pela Classe Escolar, Adriane Lima, implantada no HC.

O projeto fornece aos jovens internados a possibilidade de continuar estudando. "Diante da diversidade de patologias encontradas tivemos de montar um projeto que buscasse incluir a todos. Uma equipe multidisciplinar trabalha com o pressuposto de que o tempo de aprendizagem é o aluno quem faz. Assim, psicólogo ajuda a educadora que, por sua vez, ajuda o médico e quem ganha é o aluno", afirmou.

Além disso, Lima teve de montar as salas com um número pequeno de alunos e ter muita atenção para selecionar o educador. "Não é possível atender mais que um jovem bipolar (que sofre constante alternância de estados depressivos e maníacos) ou esquizofrênico. Além disso, o professor deve ter muita sensibilidade e compreender a situação. De dezenas de currículos, só duas educadoras foram contratadas", contou.
 
"A escola historicamente é excludente. Precisamos mudar isso e o primeiro passo é aceitação das diferenças", recomendou a mestre em educação pela Universidade de São Paulo (USP), Antonia Nakayama.